“Dinheiro” | Martin Amis

“Dinheiro” | Martin Amis

Uma poderosa sátira ao mundo do dinheiro tendo como pano de fundo a década de oitenta

John Self, um relativamente bem-sucedido realizador de filmes publicitários inglês, é convidado a filmar a sua primeira longa-metragem nos Estados Unidos na América. Passa então a viajar frequentemente entre Londres e Nova Iorque, preparando o filme com o seu produtor, o bem-parecido Fielding Goodney, que parece não olhar a despesas para sustentar o seu luxuoso estilo de vida. O problema é que, aos 35 anos de idade, Self é um homem de compulsões e excessos, não dispensando a sua dieta diária de álcool, sexo, violência e fast-food. Acrescente-se um conjunto de caprichosas estrelas de Hollywood – o galã envelhecido Lorne Guyland, a bela mas superficial Butch Beausoleil, a maternal Caduta Massi e o puritano Spunk Davis -, e um guião que coloca em rota de colisão os egos dos actores, e temos os ingredientes necessários para algumas horas de leitura bem passadas.

A história é-nos narrada no vernáculo do próprio Self – um anti-herói clássico, tão cheio de defeitos que é impossível não simpatizar com ele -, num registo tanto cómico quanto trágico, sobretudo quando se revela a impotência do protagonista de travar o seu comportamento auto-destrutivo. Acompanhado por um conjunto de personagens secundárias muito bem conseguidas (onde, num toque pós-moderno, se inclui o próprio autor), e tendo por cenário a década de oitenta (assistimos ao casamento real de Charles e Diana, à morte do activista do IRA Bobby Sands e às greves do Solidariedade de Lech Walesa), “Dinheiro”, de Martin Amis, é uma sátira corrosiva e certeira à indústria do cinema, à sociedade de consumo e às flagrantes imperfeições da natureza humana. Prepare-se o leitor para um volte-face no final.

Uma edição da Quetzal, a partir da obra de Martin Amis publicada originalmente em 1984



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