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NOS Alive’26 | Dia 1 (09.07.2026)

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Texto por Miguel Barba e fotografia por Graziela Costa.

A chegada ao recinto no primeiro dia é invariavelmente impactada pelos horários laborais de muitos, pelo que quando chegamos os Dogstar, banda da qual Keanu Reeves faz partes está prestes subir ao Palco Heineken, para onde conseguem arrastar uma considerável multidão, e que só não é maior dada a hora e a intromissão dos supracitadas dores laborais. Convenhamos que a presença de Keanu Reeves é incontornável para obter este resultado. O rock cumpre, embora não deslumbra, mas convenhamos que não é muito importante. Para além do baixo que é assumido por Reeves, há uma guitarra e uma bateria. Uma santíssima Trindade que soa pobre. Um easy listening que não envergonha, mas que pouco acrescenta. É rock FM.

Para muitos seria uma das bandas mais antecipadas deste primeiro dia, e os A Perfect Circle, apresentam-se no Palco NOS à hora marcada, com Maynard James Keenan, num plataforma que o coloca acima da restantes banda, ao som de «The Package», e com Billy Howerdell a coordenar logo abaixo. A presença do Maynard é magnética, densa. Não é preciso falar para transmitir uma sensação de densidade, com uma atmosfera muito própria que, invariavelmente deságua numa explosão sonora, sempre pautada por uma execução sublime, quer nos instrumentos, quer na voz.

Escutamos «Weak and Powerless», sempre entoada em uníssono. Sentimo-nos 20 anos mais novos. «Gravity» mostra-nos como manter os pés assentes no chão num momento difícil. Há algumas passagens pelas edições posteriores a “Mer de Noms” e “Thirteen Step”, mas é quando passamos por estes registo que tudo ganha claridade; «Orestes» reclama o seu lugar, portentosa e gloriosa e «The Outsider» avança, imparável, como um tsunami.

«Counting Bodies Like Sheep to the Rhythm of the War Drums» marca a única passagem por “eMOTIVe” e a negação interna de «Blue» antecede o fecho imponente ao som de «Judith». 50 minutos extremamente intensos e que nos deixaram felizes.

De seguida houve uma breve passagem pelo Heineken, onde Britney Howard e os seus Alabama Shakes actuavam e encantavam. Uma infeliz sobreposição que levou a que fosse necessário fazer escolhas.

Com o aproximar da hora da missa, regressamos ao Palco NOS, em busca de um bom lugar para rezar com Nick Cave & The Bad Seeds. «Get Ready For Love» e «From Her to Eternity» mostra o quão devotos ali somos. «Wild God» leva Cave para o piano e «O Children» forma um nó na garganta; “O Children / Lift up your voice, lift up your voice / Children / Rejoice, rejoice”. Já «Tupelo» leva-nos à origens do rei e «Carnage» levita. Segue-se «Rings of Saturn» e magnífica «Henry Lee», com Janet Ramus a fazer as vezes de Polly Jean Harvey. Sempre intenso e sem nos dar um momento de paz, abraçamos uma sucessão de momentos inolvidáveis; «The Mercy Seat», «Papa Won’t Leave You, Henry» e o diálogo entre pai filho de «The Weeping Song», onde conseguimos bater palmas com estilo e personalidade.

«Red Right Hand» é um momento de celebração, fruto das circunstâncias e do contexto a que a canção é atualmente associada, e mesmo quase a fechar, antes do encore há «Jubilee Street», uma das melhores canções que Cave escreveu nos último anos, arrisca-se este escriba a afirmar. «Hollywood» é a última canção, dura, onde Cave faz o seu luto de forma ímpar.

O encore tem início ao som de «City of Refuge». «Wide Lovely Eyes» é dedicada a Susie, esposa de Nick Cave, simplesmente por ser a sua canção prefrida dos Bad Seeds e deixem-me que vos diga: o amor era palpável naquelas palavras, na forma como foram ditas. O concerto termina ao som de «Into My Arms», um abraço colectivo, reconfortante, rematar um concerto repleto de momentos catárticos.

O momento seguinte terá lugar no Palco Heineken, com Matt Berninger, vocalista dos The National que aqui se apresentou em nome próprio. Bater o que tinha acontecido antes no Palco NOS estava, logo à partida, fora de questão, porém Berninger tem i seu charne e entregou um concerto sólido, que não deixou de visitar o catálogo dos The National. A abrir este a bonita «No Love», a que se seguiu, «Frozen Orages», uma canção sobre os tomates do trump, como Berninger referiu, com humor.

A banda que o acompanha tem vindo a amadurecer e a ganhar confiança, o que se reflecte em execuções mais seguras das canções. Em «Distant Axis» assistimos, com espanto, a Berninger a tocar harmónica, ou Monica, como carinhosamente se referiu a ela. Há tempo para duas novas canções, «Type it Up» (ou «Tighten Up», sem certeza absoluta aqui), seguida de «Martini Me Fatso», com esta última a surgir mais interessante, talvez por já estar mais perto da sua forma final. Foi também possível escutar «Walking On a String», canção que canta com Phoebe Bridgers. Segui-se «One More Second» canção do primeiro disco a solo, “Serpentine Prison” e também a última passagem aí feita. O regresso a “Get Sunk” é feito ao som de «Nowhere Special», uma canção que é o resultado de uma amálgama de letras soltas que deu forma a esta entidade estranha, mas com um apelo próprio.

«Little By Little» é dedicada a Mike Drew, que em boa hora incentivou Matt Berninger a cantar. Depois três momentos muito celebrados. O primeiro, com «Gospel», canção tremenda da obra-prima que dá pelo nome de “Boxer”, quiçá numa versão bem menos interessante que a original, mas que conseguiu colocar muita gente de sorriso nos lábios, ainda para mais porque com ela chegou também a novidade de que os The National se vão voltar a reunir no final do ano, se bem que não tenha havido qualquer clarificação dos moldes, timings e objectivos desta reunião. O segundo momento também foi retirado de “Boxer”, desta vez foi «Slow Show», mais fiel ao registo original. O terceiro e derradeiro momento, aconteceu com «Terrible Love», e a desculpa perfeita para Berninger irromper pelo público enquanto catávamos todos “It’s a terrible love and I’m walkin’ with spiders / It’s a terrible love and I’m walkin’ in / It takes an ocean not to break”. A fechar um curto, mas agradável concerto estiveram «Bonnet of Pins» e «Inland Ocean»

A fechar a noite, naquele mesmo palco, estava TOMORA. TOMORA = Tom Rowlands (50% dos Chemical Brothers) + Aurora, que este ano já passou por cá. O objectivo era colocar-nos a dançar, mas procurando fazê-lo com personalidade e originalidade e para isso muito contribuiu a componente cénica do concerto.

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Leiam aqui as reportagens do segundo e terceiro dia do festival.



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