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O Bote da Razão

Tem um pouco de tudo.

“O Bote da Razão” é o resultado dos alunos da escola SOU – Arte e Movimento da Oficina de Criação I, com encenação de Claudio Hochman. Criado a partir de “Matteo Perdeu o Emprego” de Gonçalo M. Tavares, “O Bote da Razão” estreou na quarta-feira passada, 14 de Dezembro, e esgotou nesse dia para os restantes dias. O SOU decidiu assim fazer um Extra na sexta-feira, dia 16, ou seja, após terminado o já anunciado espectáculo das 21H00, haverá um outro às 23H00.

“O Bote da Razão não é uma peça de teatro nem é uma exposição de quadros, mas tem um pouco de cada coisa.” Tem também um pouco de concerto, um pouco de dança… um pouco de tudo nesta peça, comédia, dramática, e com (pouco) horror…

Seguimos os intérpretes, quando queremos, por onde queremos e até querermos. São nove os intérpretes, o que significa que várias vezes são nove solos a acontecerem ao mesmo tempo. Existem vários grupos que se vão criando, e espantosamente a energia é equilibrada, ou seja, não se sente que ganha mais por ser um grupo, sente-se que existe um controlo seguro na energia de cada um.

Mas a verdade é que a minha cena preferida é quando todos juntos, com um cenário da fábrica envidraçado, com luz do exterior, meio alaranjada, ilumina os intérpretes posteriormente enquanto eles dão um concerto sentimental ao som de violino e guitarra.

Bom… talvez esteja a mentir; talvez a minha parte favorita seja quando uma donzela anda pelo espaço, sujo, velho, estragado, a passear e… pouco a pouco, esta donzela vai “perdendo”, quase sem se aperceber, as roupas que vai tirando. Atrás dela, andam todos os outros a segui-la com curiosidade, e com expressões cómicas misturadas com espanto, provavelmente as mesmas que o público faria se tivesse coragem… é que a donzela fica mesmo… nua.

Há vários intérpretes que não têm problema com a nudez, e se este caso tem um pouco de cómico, outros não tanto… a questão do travestismo é um trabalho evidente num dos intérpretes…

As garrafas são um objecto bastante utilizado nesta peça, que, repita-se, não é uma peça de teatro. As garrafas ameaçam que partem, as garrafas partem mesmo, as garrafas prendem, as garrafas aliviam, as garrafas estão por lá… e é preciso ter cuidado.

É de louvar o facto de uma das intérpretes, por se ter aleijado, participar em toda a peça em cadeira de rodas, o que por vezes tem um ar muito cómico quando interage com o público.

Parabéns a todos os intérpretes e ao maravilhoso encenador. Há que referir o notável trabalho individual que foi conseguido, buscando o melhor de cada um, e onde todos juntos se complementaram. O que demonstra um muito bom trabalho de grupo, que raramente vejo.

Dias 14 (Qua.), 15 (Qui.) 16 (Sex.) | 21h e 23h | entrada livre
Antiga Fábrica da Viúva Lamego Largo do Intendente nr. 15, Lisboa Lotação limitada
Solicitar reservas com 24horas de antecedência: info@sou.pt

Fotografia de Adriana Correia de Oliveira.



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