“O Filho Perdido de Philomena Lee” | Martin Sixsmith

“O Filho Perdido de Philomena Lee” | Martin Sixsmith

Uma mãe, o seu filho e uma busca de cinquenta anos

A maioria dos leitores estará minimamente familiarizado com a influência da igreja católica ao longo da história, nomeadamente num país com a tradição religiosa da Irlanda. Alguns leitores acreditarão em Deus. Menos leitores participarão regularmente da vida da igreja.

Anthony Lee, depois Michael A. Hess, nasceu num convento, onde viveu até completar 3 anos, em 1955. Adoptado pelos Hess, viu no tio Loras, um bispo, a maior fonte de inspiração paternal. Participante activo dos rituais da igreja, chegou até a considerar uma carreira de fé.

O livro acompanha o percurso de um homem dividido entre duas nações, as suas relações pessoais e a sua carreira na política, de uma forma comovente, focando a dor do abandono e a difícil integração numa sociedade preconceituosa.

Atormentado pela sensação de abandono e pela necessidade de aprovação externa que dela advém, dividido entre as crenças religiosas e a sua homossexualidade, Michael consegue vingar tanto nos estudos como nos trabalhos que consegue para pagar a formação, principalmente enquanto DJ.

Em 1977 regressa à Irlanda com Mary, numa primeira tentativa de encontrar a mãe, de quem pouco se recorda e que sempre lhe garantiram que o havia abandonado na Abadia Sean Ross, em Roscrea. É o início de uma busca. Uma busca correspondida pela mãe, Philomena, que recorre ao auxílio do jornalista para procurar o filho, décadas depois de ter sido forçada a assinar o documento para a adopção.

Jornalista de profissão, Martin Sixsmith dá forma a “O Filho Perdido de Philomena Lee – uma história verídica – com a honestidade do discurso jornalístico: «tudo o que se segue é verdade, ou então reconstituído o melhor possível dentro das minhas capacidades», escreve no prólogo. A história com que nos defrontamos é fruto de uma pesquisa aprofundada, de conversas, registos e fotografias, documentos e diários – peças de um puzzle que o autor se dedica a contar.

A narrativa dos desafios pessoais de cada um é equilibrada com acontecimentos de carácter político que constroem o panorama social da época, impactando as vidas daqueles que lemos.

Para os mais curiosos, esta edição (Planeta, 2013) traz dois conjuntos de fotografias que farão o leitor avançar por várias vezes para recordar o rosto das pessoas sobre quem lê. Uma imagem não vale mais do que mil palavras, mas há um poder inquestionável na união entre uma fotografia e mil palavras bem escritas.

“Filomena”, a adaptação cinematográfica de Stephen Frears de 2013, conta com a interpretação de Steve Coogan e da veterana Judi Dench.



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