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“O Teorema Zero”

Christoph Waltz e Terry Gilliam juntam-se num futuro distópico e tentam provar que a vida não faz sentido.

Genial, surrealista, excêntrico. Adjetivos que rimam com o perfil de Terry Gilliam, que nada tem a esconder, ou pelo menos não tenta escondê-lo nos seus filmes. Se não existisse Tarantino talvez se dissesse que Christoph Waltz nascera para trabalhar com este realizador. A ambiência mirabolante de Guilliam está perfeitamente ajustada à instabilidade emocional, aqui com um toque de quase demência, que Waltz tão bem consegue representar – o que, aliás, já tinha demonstrado com o imprevisível Coronel Landa (Inglorious Basterds), sempre tão afável e, simultaneamente, cruel.

Qohen vive sozinho, praticamente isolado, numa capela abandonada. Aí passa dia e noite, imerso numa espécie de consola steam-punk, numa batalha constante com a matemática e a lógica. O seu objetivo é provar que 100% = 0. No fundo, provar que tudo é igual a nada e que a vida é redundante.

Trata-se esta de uma realidade que não está tão distante como inicialmente aparenta. As pessoas estão cada vez mais individualizadas, o mundo é controlado por uma empresa que enverga um logótipo muito semelhante ao olho do livro “1984” (a famosa distopia de George Orwell), na rua há mais câmeras e ecrãs do que carros e tudo o que seja informação, principalmente publicidade, persegue, literalmente, os pedestres. Nada que não esteja já visto ao longo dos últimos 15 anos de ficção científica, mas, diga-se, a visão de Terry Gilliam consegue sempre tornar tudo mais único, ou, pelo menos, mais pessoal.

O problema dos meta-formatos, além de transformarem o cinema numa rotina, é a homogeneidade. Não é novidade que Terry Gilliam seja um realizador dono das suas próprias regras – os seus filmes assentam numa estrutura muito própria, sempre com recurso ao caos e a uma estética deslumbrante. Como tal, ainda que seja difícil encontrar um caminho coerente para um final tão subjetivo como o de “Teorema Zero”, o facto de o desenlace apresentar mais perguntas do que as habituais respostas é suficiente para antecipar o próximo trabalho deste génio constante.



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