OrsonWellesYoung

OS OLHOS DE ORSON WELLES

A herança de Welles.

Por vezes imaginamos como seria se vivêssemos noutra época…

Através do documentário sobre a genialidade de Orson Welles, somos levados a pensar como seria se Welles vivesse no nosso tempo: qual seria a sua reação à ascensão de déspotas preconceituosos como Trump e Bolsonaro; de que forma utilizaria as tecnologias que foram surgindo para ilustrar as suas ideias? Sabemos como ele reagia ao mundo através dos seus filmes, na forma como se dedicava à interpretação e na forma como ele enquadrava as imagens no plano cinematográfico, enquanto realizador. Mas hoje apenas nos resta divagar sobre como seria se Orson Welles ainda existisse. E é o que Mark Cousins faz neste documentário – que foi vencedor do Prémio LÓeil d’Or Melhor Documentário – Menção Especial, no Festival de Cannes – lembrando-nos da essência deste showman do século XX sob a forma de uma carta.

Trata-se, sobretudo, da forma como interpretava o mundo sob a forma de arte, não só a partir dos filmes que deixou, mas também a partir dos desenhos aos quais Cousins teve acesso através de Beatrice Welles – a filha do senhor em questão. Chegam assim até nós ilustrações das ideias que ator e cineasta tinha tanto ao nível da encenação como da realização, mesmo antes de as colocar em prática, juntamente com uma narração que traça o perfil do artista. O crítico de cinema e realizador deste documentário tem aqui o cuidado estratégico de supor qual seria a resposta do seu objeto de estudo, mas antes disso contextualiza-o enquanto artista, sempre com um ponto de vista político e em busca da igualdade, e como homem – que foi pai e amante. Para falar dele como pai temos a participação da sua filha e herdeira de muitas das pinturas deixadas por Welles, e para falar dele como homem que se deixava contagiar pelo amor, recorre à sua vida conjugal, nomeadamente ao caso que teve com a atriz Rita Hayworth.

É notável nos filmes em que participou ver como ele se entregava ao papel que desempenhava, e naqueles que realizou percebe-se que é, ainda hoje, uma inspiração para muitos. De facto, Orson Welles apresentava-se ao mundo como uma pessoa empenhada e irreverente. Mais do que um amante de mulheres ele foi, sem dúvida, um amante da arte. E era nessa mesma arte que encontrava um refúgio para refletir sobre a realidade em que vivia, o que o tornou num visionário. Que desenhos, que filmes é que Orson Welles faria se por cá ainda andasse? É a pergunta que este documentário não quer calar. Os Olhos de Orson Welles tem estreia marcada no Cinema Ideal, a 13 de Junho.



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This