Pink Mountaintops e Asimov na ZDB

Sábado, 12 de Novembro às 23h. Quando no início da década de 90, as Ilhas Britânicas se rendiam à pista de dança, grupos como os The Jesus and Mary Chain, Telescopes, The Pastels ou Spacemen 3 ainda resistiam, de guitarra à cintura, à revolução da electrónica. O cenário não era simpático em termos de sucesso comercial e crítico para quem não seguia a bandwagon. Dito de outro modo, os músicos ou se adaptavam aos novos tempos (como os Soup Dragons, My Bloody Valentine e os Stone Roses) ou desapareciam. E muitos desapareceram.

Durante quase duas décadas, o indie-rock britânico deixou de se ouvir. Até que grupos como os canadianos Pink Mountaintops (a origem não é coincidência) decidiram trazê-lo de volta. E como é bom tê-lo de novo junto do ouvido, refrescado pela imaginação desta banda. A sensualidade pop (dos irmãos Reid e de Kevin Shields) anda por lá, sem recear domesticar a bateria. As vozes embalam sem crispação, aveludando a violência da distorção. E o culto da canção permanece vivo, sem pedir licença.

Mas perguntam, e com todo o direito: o que é que a banda de Stephen McBean (um projecto lateral dos Black Mountain) e Gregg Foreman (The Delta 72/ Cat Power) faz afinal de singular? Recuperar o som das guitarras (como faziam os seus antecessores britânicos) não tem nada de inédito. É simples: resgata esse som para grandes espaços do Norte da América. Confronta-o com a sombra de Neil Young, com o cânone do folk-rock como se o grunge nunca tivesse existido. E não temam fãs de rock: Pink Mountaintops sabem o que fazem. Saudemo-los.

Asimov

Heterónimo de Carlos Ferreira (dos saudosos Brainwashed By Amália; Mamute e Dawnrider), Asimov – quase como uma surpresa – afirma-se como uma experiência rock, veículo perfeito para que o seu autor possa explorar e expulsar demónios.

‘Algures No Mundo É Noite’ (edição de autor, 2011) representa a estreia de Asimov em formato longa duração e é, desde logo, uma demarcação do projecto-irmão Asimov Folkways. Sem o epíteto Folkways, abre-se espaço para a psicadelia, cosmic reverie e classic rock (sem merdas). Estreia absoluta de Asimov numa formação que incluí ainda João Arsénio (ex-Brainwashed By Amália).



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