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Slam LX #1

Poesia (com) batida no Musicbox.

“Antes que venha o Inverno e disperse ao vento essas folhas de poesia que por aí caíram, vamos escolher uma ou outra que valha a pena conservar, ainda que não seja senão para a memória”.

Folhas caídas de outrora, noites de Poetry Slam, de 27 de Outubro de 2011 a Maio de 2012, pelo terceiro ano, organizadas pelo Musicbox, no Cais do Sodré.

Neste palco da noite lisboeta, acompanhando a tradição cosmopolita de outras capitais, decorre este torneio de poesia urbana com oito sessões e uma finalíssima em Maio. Com pontuações e regras, Slam LX é, na sua essência, uma homenagem à palavra dita e tem-se tornado em estímulo, encontro, reunião, descoberta de slammers e poetas, anónimos e adictos.

“Se dos meus versos se rirem têm razão, mas saibam que eu também primeiro me ri deles”.

Numa das sessões do Slam LX o primeiro a rir pode bem ser o mestre-de-cerimónias Filipe Homem Fonseca. É o que ele faz desde o início do Slam LX. Há que tirar a teima de que um encontro de poetas é enfadonho. Para o efeito, na primeira sessão esteve o humorista José de Pina e a próxima contará com o humorista Salvador Martinha e o dizedor Silva o Sentinela.

Por que não há-de ser a poesia uma coisa para rir, se os dentes também se usam quando de raiva se range, e há por aqui alguma revolta, reivindicação e riso? Sim, riso à mistura. É poesia urbana.

Já olharam ao redor, para a vossa cidade? A inspiração está aí. Ou não. O Slam LX é para slammers e não só. Já se ouviu por aqui, em sessões passadas, algum stand-up e lirismo, encaixados em três minutos cronometrados. É a regra base. E isto do riso descontrai, porque uma coisa é declamar poesia e outra é fazer slam: uma poesia batida que conquista o público pela sua performance. Para isto nem todos são talhados, mas é mais fácil do que parece e o ambiente… favorece.

Estas noites de Slam são ainda animadas pelo DJ Mike Stellar, por antigos concorrentes e por todos os que de rasgão quiserem agarrar o momento de microfone aberto.

“Logo o poeta é louco porque aspira sempre ao impossível”.

Aqui o poeta aspira a um convívio, uma noite bem passada de expressão, troca e partilha, com pontuações sim e um vencedor em cada sessão que disputará a final de Maio. O júri é composto por Nuno Miguel Guedes, jornalista, Luís Gouveia Monteiro, jornalista e Paola D´Agostino, tradutora, e por alguns membros do público. O “louco” do Slam LX nº 1 foi Víton Araújo.

“Deixai-o passar, gente do mundo, devotos do poder, da riqueza, do mando ou da glória”.

As candidaturas para o próximo Slam LX já estão abertas. As regras básicas são a da originalidade da autoria, da performance poética e, claro, do cronómetro. De resto os três minutos têm espaço para qualquer tema.

“Deixai-o passar porque ele vai onde vós não ides”.

Aqui deixa-se o Almeida Garrett, autor, destes trechos de advertência de “Folhas Caídas”, deixam-se todas as outras advertências e faz-se frente ao lirismo com novas entoações. E assim, em vez de o deixar passar, juntai-vos a ele. O próximo Slam LX é já dia 24 de Novembro!

Fotografia por Rui de Freitas



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