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Projecto Embrião

Três pequenas formas, três grandes espectáculos.

Na sequência de um workshop ministrado pela belga Agnès Limbos, A TARUMBA – Teatro de Marionetas, que todos os anos organiza um dos mais interessantes festivais da capital, o FIMFALx, lançou o desafio a três criadores para apresentarem um espectáculo de pequenas formas com estreia marcada para o Festival. Luís Hipólito, Joaquim René e Ana Gabriel aceitaram e criaram, respectivamente, “Oh! Please!”, “Un hombre al borde de un ataque de nervios” e “Ego ísmo”. Os espectáculos, apresentados num todo sob a égide do Projecto Embrião, foram um sucesso durante o festival e voltam a estar em cena neste final de Julho.

“Oh! Please” de Luís Hipólito é uma muita divertida abordagem à nossa relação com o Amor, ontem, hoje e amanhã. O Amor aos olhos da Religião, o Amor aos olhos da Lei, o Amor aos olhos da Sociedade. E para cada um dos quadros L. Hipólito utiliza objectos muito específicos, com dimensões e técnicas de manipulação distintas. A própria presença do criador é distinta: no primeiro quadro o intérprete quase que se anula a si próprio, deixando o protagonismo para os objectos (onde se destacam duas fabulosas mãos de manequins, uma feminina e uma masculina) e nos dois quadros seguintes divide a cena com os objectos (corpos de manequins no segundo e uma série de interessantes bonecas no terceiro). Cada quadro é pontuado com uma deliciosa e surpreendente banda sonora.

Saímos deste primeiro espectáculo com um sorriso nos lábios e dirigimo-nos a uma segunda sala.

Entramos no mundo de “Un hombre al borde de un ataque de nervios” de Joaquim René. Avisam-nos que qualquer coincidência com a ficção não é pura coincidência. E quem conhece a obra de Pedro Almodóvar reconhece uma série de referências. O telefone vermelho, o gaspacho, a banda sonora, o fogo, a tensão, o tom melodramático, tudo isso ali está. Mas J. René vai além disso e cria um espectáculo sobre o fim; o fim do amor, o fim de uma relação. Pouco importa a história que terá vivido, o que nos apercebemos ali é de um fim. Um fim trágico, um fim intenso, um fim que nos leva ao limite. Contrariamente a L. Hipólito, J. René opta por ser uma presença constante e é da sua relação com vários objectos (e sobretudo da relação com o telefone) que vive o espectáculo. Uma última nota para as frases que surgem de forma muito poética quase no final do espectáculo.

É com o coração nas mãos que nos dirigimos para a terceira sala (na verdade, regressamos à primeira).

O universo de Ana Gabriel é de “Ego ísmo”, uma dura crítica ao “amor exclusivo à pessoa e aos seus interesses próprios”. Uma vez mais o Amor. De forma diferente, mas ainda assim o Amor. Ou neste caso, a falta dele. A falta de Amor para com o mundo que nos rodeia, para com a Natureza. De um mundo idílico passamos pouco a pouco para um mundo árido, vazio, triste. É o corpo da intérprete que traz intensidade a esta alteração que se vai processando, pouco a pouco, ano a ano, século a século. Aliás, a presença do corpo da intérprete é uma vez mais diferente das presenças propostas pelos dois intérpretes anteriores. Aqui é o corpo, o movimento que cria no objecto uma intensidade, uma história que este em si não tem. Quase no final a banda sonora e a ausência de acção criam no espectador um certo incómodo (talvez resultado de uma pequena culpa que se vai instalando ao vermos o espectáculo).

Três propostas distintas, ainda assim próximas, resultado de abordagens possíveis ao teatro de objectos, que nos deixam com vontade de ver mais.

Em cena dias 28 e 29 de Julho, às 21h30 e às 23h00.
Informações e reservas – A Tarumba – 212427621



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