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“Realizar o Impossível”

A moral recorrente de um filme mainstream

A antestreia do filme “Realizar o impossivel” teve direito a um debate sobre ondas gigantes, com a presença de algumas referências desta modalidade. Contou com um público radical, malta do mar, peles morenas e cabelos queimados do sol deram cor à sala.

O surfista havaiano de ondas gigantes, Garret Mcnamara, esteve presente na apresentação deste filme; o ano passado surfou a maior onda do mundo na Nazaré. Mas também se juntaram ao debate, que esteve dirigido por David Prescott, Ruben González, quatro vezes campeão nacional e surfista de ondas grandes, Andrew Cotton, nomeado para o prémio “Biggest Wave” de 2012, e Mário Pinto, especialista em Portugal de rescue em Mota de água.

Mcnamara afirma que a Nazaré é um desafio maior do que as Mavericks. É precisa uma óptima preparação para enfrentar um mar como aquele, é necessário muito treino para nos sentirmos mais relaxados e confiantes. Sem um bom especialista no rescue em mota de água seria uma loucura enfrentar ondas gigantes, para além de que a própria remada para apanhar tais ondas seria insuficiente e frustrante, para isso estão os rescues à ajudarem aos surfistas a terem o melhor desempenho nesta modalidade. Andrew Cotton revela que surfar na Nazaré é uma experiência gratificante e inesquecível. Ruben González avisa que o mar é perigoso e há que respeitá-lo, a confiança no rescue é essencial e há que manter sempre uma remada eficiente, sejam nas ondas gigantes como nas outras.

“Realizar o impossível”, dos realizadores Michael Apted e Curtis Hanson, é sobre a história inspiradora da lenda do surf Jay Moriarity. Para além disso, é um filme de desporto banal, tem as palavras-chave mais usuais de sempre e é tudo menos original.

Equipado com pouco conteúdo e muito preso ao imaginário de crianças surfistas, estamos perante um autêntico cliché. É desprovido de qualquer marginalidade e novos recursos. Uma história verídica adaptada com muita familiaridade e pouca experimentação. Tem um fundo tão repetitivo, que nos leva a relembrar outras produções cinematográficas do passado.

A base do enredo é muito parecida ao “Libertem Willy”, só que em vez de uma baleia como protagonista, tem-se uma onda gigante. A nível do mar e das enormes ondas de Maverick parece que estamos a ver o filme “A Tempestade”, quando o “El Niño” chega à costa norte da Califórnia, massas de água a movimentarem-se a 80km/h que se assemelham a cimento armado. O retrato dos surfistas e do seu quotidiano está demasiado artificial, muito similar a uma série que dava num canal infantil que se chamava “As surfistas do outro mundo”, chegando a roçar o ridículo.

A parte positiva que o filme carrega é sem dúvida a homenagem a Jay, um jovem surfista que desafiou a vida durante alguns anos ao surfar ondas gigantes desde os 15 anos. Viveu no limite, até que um dia o mar não o devolveu. “Todos nós viemos do mar, mas nem todos somos do mar. Aqueles de nós que o somos, filhos das marés, devemos voltar a ele novamente e novamente”.

Por outro lado, destaca-se a ausência de cenas sexuais fugindo com esta jogada ao óbvio, tornando o filme puritano. Há momentos em que o público mais sensível, o de lágrima fácil, até se poderá emocionar e envolver. A moral da história é que o impossível não existe, nada se obtém sem esforço e dedicação, tudo está nas nossas mãos, mas isso já todos nós sabemos, é a moral recorrente de um mainstream.



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