“Ressureição” | Lev Tolstói

“Ressurreição” | Lev Tolstói

Testemunho e lição de vida

Se o Sr. Américo – papel assumido pelo grande Ricardo Araújo Pereira – se atirasse ao resumo do resumo de “Ressurreição” (Editorial Presença, 2014), para os que têm preguiça até de ler os resumos dos livros, provavelmente andaria perto disto: «Era uma vez um gajo chamado Dmítri que, depois de andar a brincar aos médicos com uma moçoila chamada Máslova, a largou grávida e com uma nota de 100 na mão. A rapariga vê-se despejada de casa e, cercada de más influências, acabada enrolada na má vida da prostituição. O destino, que é um grande malandro e anda sempre a fazer das suas, acaba por permitir o reencontro dos dois, aí uns dez anos mais tarde, ele como jurado e ela como acusada de ter posto veneno no chá de um homem assim para o abonado, só para lhe roubar umas massas. Sentindo-se um mau carácter do catano, Dmítri vai tentar reparar o seu erro, fazendo-o olhar para o país – e para si próprio -com olhos de ver».

Quando pensamos em Lev Tolstói e na sua obra, provavelmente os livros que nos virão de imediato à memória serão “Guerra e Paz” e “Anna Karénina”. Quanto a “Ressurreição”, apesar de na altura ter tido um acolhimento entusiástico por parte dos leitores, ficou como que atirado para o estatuto de obra menor. O que não é de todo o caso pois, para além de ser um romance pintado de negro – mais um -, “Ressurreição” representa quase o testamento literário de Tolstói que, nesta páginas, partilha o seu olhar sobre o modo como vê a sociedade, fazendo uma análise ao injusto sistema judicial e ao próprio regime russo.

Dmítri, que se transforma de vilão em herói, é um homem que de súbito se vê fulminado por uma epifania, e que irá procurar a todo o custo o perdão e a redenção. Ao invés do apelo à revolta e à insurreição, Tolstói propõe o amor – ao próximo e a Deus – como a força primordial de transformação, o que não deixa de ser uma visão utópica e extremamente poética da existência humana.

A tradução da obra esteve a cargo de Nina Guerra e Filipe Guerra, distinguidos com o Grande Prémio de Tradução Literária APT/Pen Clube Português.



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