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Rita Braga

A lisboeta que pertence ao mundo.

O disco de estreia “Cherries That Went to The Police” tem lançamento marcado para dia 26 de Setembro.

Há quem a compare a Mary Poppins, no estilo “fofinho” e na alegria que transmite pelo mundo fora. De sorriso fácil, Rita Braga falou-nos do álbum “Cherries That Went to The Police” que está prestes a sair e que já foi apresentado noutros países. Ao longo de cinco anos, a cantora recolheu músicas adormecidas no tempo e compôs as suas versões sempre com “uma abordagem pessoal, um lado mais exótico mas que respeitasse as melodias”.

Nas actuações a solo, Rita Braga conjuga a voz doce com o ukelele, um instrumento de origens portuguesas, recorrendo por vezes à guitarra e aos teclados. Na última semana passou por Bordéus, Paris e Berlim, onde deu alguns concertos para promover o seu trabalho. Apesar de contar com inúmeros concertos no estrangeiro, não se sente mais reconhecida. “Estou dentro de um circuito muito independente, sou eu que marco os concertos e às vezes acabam por ser em certo tipo de circuitos e em meios mais pequenos”, refere. De todos os lugares por onde já passou, é em São Francisco que se sente em casa. “Gostaria muito de viver lá”.

A paixão de Rita pelas viagens reflecte-se agora num disco gravado em Lisboa, Filadélfia, Ghent, Los Angeles e Buenos Aires. A par disso, o reportório inclui músicas cantadas em Português, Inglês, Russo e Grego. Afinal, quantas línguas fala a Super Braguita (nome com o qual apelidou o site)? “Só falo fluentemente Inglês e Português. Aprendi um bocadinho de Sérvio e Polaco porque passei alguns meses nesses países, depois Russo. Às vezes há aquela questão de cantar em Português ou Inglês. Então porque não cantar noutras línguas, como Índio ou Chinês”, sugere. No alinhamento, Rita Braga juntou a canção popular portuguesa «A Lira», a música russa «Katyusha» e temas dos saudosos anos 20, como é o caso de «You’re the Cream in My Coffe».

A variedade de épocas e imaginários que atravessam as melodias de Rita Braga tem como fonte de inspiração o folk sérvio, polaco e russo, jazz e as canções dos anos 20. “Tenho também muitos nomes favoritos dos anos 60 e gosto de algum rock”, acrescenta. Mas não é só a música que a move. “Faço cinema de animação, tenho sempre presente um lado muito visual. Fui mesmo buscar duas músicas de David Lynch para este disco.” Exemplo disso é o single «Under the moon», filmado a preto-e-branco e com recurso a cartoons dos anos 30, que nos transporta para dentro de um filme de animação.

O amor pela música, diz, já vem de longe. “Desde sempre soube que música e animação era o que eu queria fazer. Comecei por ter aulas de piano aos 8 anos. Via o Charlie Brown e, como o Shroeder tocava piano, quis aprender também. Mais tarde fui auto-didacta na voz e no ukelele. Sempre toquei em casa, ia gravando maquetas no secundário e depois comecei a gravar um CD’s”. Em 2004, viajou para a Polónia ao abrigo de um programa de voluntariado e foi aí que começou a dar os primeiros concertos. Mais tarde, conheceu Aleksandar Zograf, o artista sérvio que assina a capa do disco “Cherries That Went to The Police”, e que lhe deu a conhecer os palcos da Sérvia. Daqui para os Estados Unidos da América foi um pulinho. Em 2008 formou a dupla “Chips and Salsa” com Chris Carlone, músico, actor e realizador norte-americano. “A primeira vez que toquei em Nova Iorque foi o Chris Carlone que marcou os oito concertos e ele tocou sempre comigo. Portanto, ajudou-me imenso a integrar nesse circuito de música independente.”

Por cá, escreveu com Paulo Furtado (Legendary Tigerman) o tema «The Wind will blow Everything», editado no álbum “Femina”, e abriu os concertos do músico nos Coliseus do Porto e Recreios, em Janeiro deste ano. “Foi completamente inesperado o convite. Cerca de um mês antes ele perguntou-me se queria fazer a primeira parte, a solo. Estava muito nervosa por ser um palco maior, mas correu tudo muito bem.” No final, Rita Braga recebeu muitos aplausos e boas críticas.
Por agora, prepara-se para o concerto de lançamento do disco no próximo dia 15 de Outubro, no Teatro do Bairro, e revela: “neste caso vou ter mais músicos convidados. Já confirmados vêm Nik Phelps [que toca clarinete] e os Loosers, em que o Rui Dâmaso vai tocar guitarra e baixo nalguns temas e o José Miguel Rodrigues vai tocar percussão. No «Under the Moon» e «You’re the cream of my coffe» vou ter contrabaixo”. Quanto a projectos futuros, Rita realça que já está a pensar num próximo trabalho e conta entrar em vários projectos. “Fiz agora uma nova versão de uma música sueca e a par disso estou a retomar as composições, a usar mais os teclados e a fazer bandas sonoras também.”



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