Ritz-mente

No dia 7 de Junho, o Ritz Clube vai receber o projecto -mente, que desafia artistas de várias áreas a mostrar as suas criações em espaços da noite lisboeta. Em Ritz-mente, os artistas dispõem de oito minutos para partilhar a sua visão da glória. Só há uma regra: ou és bom ou és rápido! Ritz-mente acontece em Lisboa, no renovado Ritz Clube, no dia 7 de Junho, a partir das 22:30. Em palco es- tarão Francisca Santos (performance), Graça Lobo (teatro), Inês Nogueira e João Maló (música), João Costa (dança), Lara Li (música), Miguel Loureiro (teatro) e Vasco Araújo (performance). A apresentação estará a cargo de Maria Bakker. Segue-se um dj set de D.M.A.

Sobre o -mente

-mente é uma estrutura de programação de trabalhos cria- tivos de diferentes disciplinas artísticas, tais como dança, performance, música e teatro. Este projecto propõe-se trazer a expressão artística para locais de diversão nocturna habitua- dos a linguagens diferentes e provocar um confronto fecundo entre os artistas convidados e um público heterogéneo e particularmente exigente.

Formato

Cada artista dispõe de oito minutos de apresentação para interpretar o conceito de cada edição de -mente num formato à sua escolha, sujeito apenas às condições do espaço, fazendo deste projecto um mostruário de pluralidade criativa repleto de objectos artísticos multifacetados.

Objectivo

Construir um objecto criativo inspirado pelo conceito de glória e por um conjunto de ideias como: ascensão, conquista, sacralização, passado, jogo, caminho e imortalidade. A glória de cada um é fruto da sua visão do mundo e da consciência da própria mortalidade; a reflexão em torno da glorificação pretende questionar o caminho de cada um em direcção a essa afirmação artística individual.

Elenco

-mente volta a reunir um conjunto de artistas diversificado. De diferentes áreas artísticas, diferentes gerações e usando diferentes linguagens artísticas. O Ritz-mente conta com:

Francisca Santos (performance) Graça Lobo (teatro)
Inês Nogueira e João Maló (música) João Costa (dança)
Lara Li (música)
Miguel Loureiro (teatro) Vasco Araújo (performance)

A apresentação estará a cargo de Maria Bakker.

DJ set de D.M.A.

Tema

O tema de Ritz-mente é a glória; cabe a cada artista convidado dar-lhe um sentido.

“Daquilo que está por baixo Até ao que fica no alto
Vão dois carris de metal
Na calçada de basalto”

Desde o começo da história, procuramos alcançar a glória. Foi com a consciência da passagem inexorável do tempo e com a capacidade de registar os seus próprios feitos que nasceu a aspiração universal pela sagração da existência dos povos e de cada homem. Primeiro cantámos as guerras travadas entre tribos e cidades; depois anunciámos a glória de um deus feito homem que nos ofereceu a vida eterna; a seguir cruzámos os mares em busca de mais mundo para conquistar; e acabámos a celebrar o génio humano, abandonando deuses e musas, elevando as artes e as indústrias ao seu máximo esplendor.

Hoje, tudo é diferente. A glória já não se procura salvando a nado uma epopeia, nem pondo cerco a uma cidade ou conquistando um império. Tornou-se objecto de promessas fáceis, anunciada aos nove ventos. Queremos todos agarrá-la em cada esquina, queremos tomar o elevador que nos leva em dois minutos “desde este lugar sem história / até um lugar na história”. Perdemos o sentido da glória e confundimo-lo com a fama e o estrelato, sem compreender que não é fixando carris de metal no duro basalto que conseguiremos alcançar a glória e perdurar, agora e sempre, pelos séculos dos séculos.

Destronámos Deus das alturas, mas ficámos presos a uma existência banal. Chegou o tempo de erguer o nosso olhar e arrancar os carris que nos prendem neste vaivém de lata, carrossel da nossa finitude. Mas o caminho para a verdadeira glória não é para todos, por isso há que jogar com coragem: as regras foram apagadas pelo tempo, os peões perderam-se no sótão, o tabuleiro está amarelecido e nós esquecemos o caminho! Queremos fazer as nossas regras, desenhar a traço livre o caminho, conquistar o nosso lugar no tabuleiro.

“Ó glória de mandar! Ó vã cobiça
Desta vaidade, a quem chamamos Fama! Ó fraudulento gosto, que se atiça
C’uma aura popular, que honra se chama!”



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