Roulote, ou Arte que se move

Roulote, ou Arte que se move

Pedro e Teresa Pires contam-nos como levam a arte aos lugares mais improváveis do País

Era uma simples roulote amarela e estava abandonada há 20 anos em Olhão antes de Pedro e Teresa Pires a comprarem e lhe darem uma nova vida. Os dois jovens pegaram nesta pequena caravana e transformaram-na em galeria de arte itinerante. A Roulote – projectos artísticos nasceu em 2013 inspirada no conceito britânico Caravan Gallery e, desde então, tem percorrido as estradas de Portugal para levar a arte aos lugares mais improváveis do País. A partir desta quinta-feira, dia 14 de Agosto, a Roulote vai estar no recinto do Festival Fusing Experience Culture, na Figueira da Foz, e convida todos a explorarem as colagens do artista belga Burry Buermans. A RDB conversou com os criadores do projecto.

De onde veio esta Roulote e como surgiu a ideia para o projecto?

A Roulote veio do Sul, de Olhão e foi comprada em segunda mão. Estava abandonada há cerca de 20 anos. O projecto foi inspirado na Caravan Gallery, projecto inglês que utiliza o interior original, com camas e mesa, para realizar exposições itinerantes.

O lugar onde estacionam, seja uma cidade, uma aldeia, um festival ou outro, tem algum papel determinante na programação quando vão para esse local?

Sim. O local, a exposição e a Roulote trabalham em conjunto para formar um discurso que só faz sentido deste modo. Normalmente, o artista escolhe os locais para onde a Roulote vai, locais esses que são um reflexo do discurso e do público que o artista pretende relacionar com a exposição e a Roulote. No caso do Fusing Festival, onde estaremos em Agosto, foi um pouco diferente. Fomos convidados a levar a Roulote ao Fusing e lançámos o desafio ao artista Burry Buermans de desenvolver uma exposição especificamente para este cenário.

Roulote

Qual o lugar mais estranho onde já estacionaram a Roulote?

No Hospital Curry Cabral. O Rui Romão fez uma exposição que apenas ficava completa com as portas abertas nos espaços do Curry Cabral.

Já alguém dormiu na Roulote?

Desde que está em nosso nome não. Mas estamos à espera que um artista inclua isso na sua exposição!

O percurso que efectuam é planeado? Como é que isso acontece?

Não, o trajecto é o menos cansativo para a Roulote. Como é velhinha tentamos poupá-la ao máximo. Estradas boas, sem confusão e com pouco pára-arranca.

Que artistas já passaram pela Roulote?

O primeiro foi o João Dias, seguido da Joana Roberto e do Rui Romão. Agora convidámos um artista belga, o Burry Buermans.

Para além de exposições e instalações, a projecção de filmes também faz parte da programação desta galeria de arte itinerante?

Ainda não, mas vamos instalar este ano ainda um suporte para colocar um ecrã numa das laterais da Roulote.

Quanto tempo de permanência tem cada exposição no espaço?

Entre dois a cinco dias.

A Roulote vai passar pelo Fusing. Que projectos vão levar até à Figueira da Foz?

Vamos levar uma instalação do artista Burry Buermans, que trabalha em colagens. Cobriu metade do interior da roulote com desenhos e vai convidar o público a colori-los com marcadores fluorescentes, apropriando-se da sua obra. Os desenhos que apresenta contrastam fortemente com o aspecto lúdico que a exposição vai ter.

Onde podemos encontrar a Roulote este Verão?

A roulote é um projecto recente – Outubro de 2013 – e tem como objectivo fazer quatro exposições por ano. O Fusing Festival será a terceira exposição deste ano, por isso, apenas voltaremos à estrada em Outubro/Novembro.



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