BELÉM um filme de Yuval Adler

Belém

Inimigos Íntimos

Mais uma vez, quis o destino que fosse assistir a mais um filme sobre a questão Israelo-Palestiana ou será Palestino-Israelita?

É um tema que muito me toca e sobre o qual tenho as minhas convicções muito definidas, assim como penso que quase todos as temos.

Essas convicções naturalmente se tornam mais fortes em dias como estes, onde a violência e o crime voltam a estar na ordem do dia na Faixa de Gaza ( será que alguma estiveram ausentes? Será que alguma vez estarão ?).

No que diz respeito ao filme, o estreante Yuval Adler, traz-nos uma obra com uma história interessante ,ainda que não completamente original (o filme Palestiniano “Omar” conta uma história semelhante, ainda que, com pontos de vista diferentes).

Razi (Tsahi Halevi), um agente dos serviços secretos Israelitas , estabelece uma relação muito especial com o seu informador, um jovem conhecido como Sanfur (Shadi Mar’i), irmão de um dos homens mais procurados pela Mossad.

Através dessa relação, nem sempre transparente ou mesmo honesta, ambas as personagens são confrontadas com situações onde a sua lealdade , sentido de família e mesmo de dever, são postas em causa.

É possível argumentar , que sendo o filme Israelita, o ponto de vista é algo parcial. Sendo o agente ,um homem afetuoso e interessado em Sanfur, ainda que o utilizando para fins próprios, mas plenamente justificados por razões de segurança nacional.

Contudo, outro ponto de vista pode ser aqui debatido, sendo possível ver em Razi , um manipulador da inocência árabe (aqui representada por Sanfur) e por isso também , merecedor  de castigo.

Qualquer uma das hipóteses me parece “curta” para justificar as acções e destinos das personagens e por isso senti alguma insatisfação com o filme.

É importante aqui dizer, que o filme enquanto obra cinematográfica, é honesto,bem filmado e com boas interpretações, especialmente por parte dos actores que interpretam os papeis principais. Aliás é um filme que já foi premiado em festivais como : Asian Film Critics Association Awards ; Israeli Film Academy ; Venice Film Festival. No entanto é um filme que me deixa com um vazio interior, provavelmente mais por questões filosóficas do que propriamente pela execução do filme em si…

O seu extremo pessimismo – que alguns acharão apenas realismo ou crueza – incomoda-me sobremaneira.

Mas isso sou apenas eu…

Se avaliasse filosoficamente a obra, provavelmente sairia com um Não Satisfaz.

Mas avaliando a obra cinematográfica (que é para isso que aqui estou) dou a este Belém/ Bethlehem, um Satisfaz Bem.



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This