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Sanza Hanza

Os reis sul-africanos do trainsurfing fotografados por Mattew Salacuse e Jamie-James Medina. A partir de hoje na Kgaleria.

Uma mostra do projecto Sanza Hanza tem inauguração marcada para hoje (15 de Setembro) na Kgaleria (Rua da Vinha, n.º 43A) em Lisboa. Será apresentado o documentário “Sanza-Hanza”, da autoria da realizadora norte-americana Nadia Hallgreen. A exposição pode ser visitada de 2ª a 6ª das 10h às 18h (excepto feriados).

Através da visualização dos trabalhos dos fotógrafos Mattew Salacuse e Jamie-James Medina, viajamos até à cidade sul-africana de Soweto, onde grupos de jovens, pretensos “reis” do trainsurfing, uma modalidade desportiva underground, revelam as suas proezas diariamente, a meio caminho entre a favela e a escola. Terra de grandes contrastes económicos, outrora emblemática, na luta contra a segregação do Apartheid, onde se firmaram figuras como Mandela ou o Bispo Desmond Tutu, muitos caminham ainda à procura de uma prosperidade que não chega. Jovens, provenientes dos bairros mais pobres da cidade, situados na área suburbana, utilizam como meio de transporte diário o comboio.

Quotidianamente, exercitam o seu ritual de afirmação, ao grupo e ao universo feminino. Ambicionam a veneração; para tal, num “jogo”, onde cada um coloca em aposta a sua própria vida, executando manobras cada vez mais arriscadas e excitantes, que ganham o nome do seu autor, em cima de um comboio em pleno andamento, ligado por um fio de alta tensão a 3300 v. Procurando a imortalização do seu nome, arriscam conscientemente a viagem que pode conduzir ao fim da sua linha. Praticamente dois jovens por dia encontram a morte.

No ano de 2007, como afirmam os autores das imagens, chegaram ao fim da sua linha 90 adolescentes. A Metrorail, empresa concessionária do serviço, na tentativa de travar os eventos, dispõe de um forte dispositivo de segurança armada, que espanca brutalmente e aplica multas caras aos praticantes da modalidade, como podemos ver através da visita à exposição.

Ao tomar contacto com esta realidade, regressado de uma viagem à cidade sul-africana, o fotógrafo Jamie-James Medina convida o amigo Mattew Salacusse para a realização de um projecto de registo fotográfico e vídeo. Para tal fizeram-se acompanhar de Nadia Hallgren, que realizou um curto registo documental de 7 m que complementa as imagens impressas, embora estas sejam plenas de expressão e movimento.

Captam através das suas câmaras fotográficas a afirmação do King Surf Tupac, alcunha do rapaz de 17 anos que, naquela manhã, apanha o comboio das sete; tem como destino final a escola. Naquele dia, não choram a morte do amigo (…entre outros tantos que já viram morrer ou que ficam fatalmente limitados), festejam a sua passagem, para onde quer que seja…

Com encerramento marcado para o próximo dia 13 de Outubro de 2011, a exposição conduz-nos até junto de uma realidade que nos parece distante… Soweto. Afirmação de vontades primordiais ou apenas devaneios de uma idade que se quer rebelde, a questão presente na mensagem dos criadores, que fotografam essencialmente figuras proeminentes e cultura urbana, revela-se mais perto que aquilo que pensamos, basta olhar para o anúncio na imprensa de ocorrências semelhantes, um pouco por todo o continente europeu.



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