Sonar Barcelona 2023
30 anos de Música, Criatividade e Tecnologia
Texto por Tiago Melo e fotografia por João Leite.
A edição deste ano do Sónar, reuniu 120.000 participantes de mais de 100 países diferentes, na cidade de Barcelona, para a edição que celebrou 30 anos de existência. O festival urbano, reafirmou o seu status de evento que mistura arte, ciência, tecnologia e, em particular, o seu papel de montra de talentos locais e internacionais, em todas as disciplinas criativas. Reforçou a sua reputação como uma celebração cultural única, reinventando-se e reformulando as suas estratégias ano após ano.
O festival estreou um Sónar by Day atualizado, com novas áreas mais ecléticas, e marcado musicalmente por uma riqueza de géneros que foram dos ritmos latinos ou africanos às formas mais radicais de experimentação, passando pelo house, o techno, e pelas formas contemporâneas mais pesadas da dance music. O Sonar by Night, teve a maior enchente de sempre, dando a sensação que a audiência superou os números oficiais.
Este ano contou também com a novidade de apresentar um novo formato ‘matinal’ de sucesso, o Sónar+D que contou com a presença de 3.500 profissionais e especialistas e com particular enfoque nos desafios colocados pela Inteligência Artificial.
Mais de 250 atividades aconteceram durante o Sónar 2023, incluindo concertos, DJ sets, masterclasses, palestras, painéis de discussão, debates abertos, instalações e vitrines de tecnologia criativa de mais de 20 países diferentes.
Como a Rua De Baixo referiu, o festival reuniu mais de 120 mil participantes, sendo 51 mil no Sónar by Day e 69 mil no Sónar by Night. 68% da audiência foi nacional, enquanto os restantes 32% vieram de mais de 100 países diferentes.
Na opinião da RDB, que acompanha o festival há quase vinte anos, o Sónar tornou-se uma máquina muito bem oleada. Se é verdade que já teve edições mais interessantes, como por exemplo na comemoração dos 20 e 25 anos, em que apresentou cartazes mais apelativos, também é verdade que a integração de outros ritmos, visa agradar um leque maior de publico. Os “Instragrammers”, infelizmente, invadiram o festival (tal como todos os outros). Sinais que consideramos normais para a escala que o festival apresenta, por mérito próprio!
O Sónar 2023 testemunhou um retorno espetacular e deslumbrante aos palcos de Aphex Twin. Magnifica atuação do padrinho da música eletrónica moderna, que quebrou um hiatus de quatro anos. Tem atuação marcada no dia 1 de Setembro na segunda edição do festival Kalorama, em Lisboa. De natureza experimental e desafiante, misturou ritmos complexos, sons e texturas não convencionais. Foi praticamente impercetível a passagem por faixas conhecidas pelo comum dos mortais. Com o SonarHall a rebentar pelas costuras, Richard David James terá sido a estrela maior do Sonar, a par do grande show de BICEP live. A dupla irlandesa, reforçou o estatuto de super estrelas da música de dança. Passaram por todos os êxitos: «Glue», «Atlas», a super malha «Apricots» teve uns fantásticos quinze minutos sempre em crescendo, terminaram com «Water», deixando a sensação que poderiam ter tocado toca a noite que ninguém arredava pé da dancefloor.
Max Cooper 3D/AV teve o infortúnio de tocar ao mesmo tempo que Aphex Twin no Sonar by Day. Fever Ray, ex-vocalista dos The Knife regressou dez anos depois, e apresentou o aclamado “Radical Romantics” de forma teatral, o seu concerto arrebatou o público do Sónar by Night. E, claro, também houve o aclamado show imersivo de Eric Prydz, HOLO; realizou um show 3D sem ser necessário o uso de óculos 3D. Consideramos que era um “peixe fora de água” deste evento, mas não foi por isto que deixou de ter uma importante audiência.
Bad Gyal, menina da “terra” regressou ao Sónar como um ícone global, encheu o SonarPub by Thunder Bitch.
Menção honrosa para uma estrela da rapper britânica: Little Simz, que a atuar para o publico que não era o seu, conseguiu contagiar a audiência do Sonar Pub.
Amê e Marcel Dettmann realizaram um back to back de cinco horas! no Sonar Car. A permanência apenas aqui, já seria um noite de barriga cheia. B2B exemplar de um techno mais industrial, mais pesado de Dettman com “melodias” ao estilo da Inervisions lançadas por Amê. Sistema de som bastante bem conseguido no Sonar Car.
O Bósnio Solomun, boss da Dynamic, finalmente atuou no Sonar. Foi buscar faixas da sua editora que pareciam vindas de um petroleiro. “Limitou-se” a disparar malhas bombásticas. Certamente o seu telefone tocou no dia seguinte com um convite para fechar mais um By Night.
O musico Nkosinathi Innocent Maphumulo, mais conhecido por Black Coffee, fechou o primeiro dia (Sonar by Day). Teve uma atuação competente e profissional. Iniciou o seu set em caminhos mais experimentais do que o seu registo habitual, não esquecendo as suas raízes afro. Fechou com «I Will Survive», de Gloria Gaynor, numa altura que já tinha a audiência na mão e, pronta a receber qualquer faixa.
A grande surpresa do evento, para RDB, foi Carista. Oriunda dos Países Baixos, actuou depois de Little Simz. Encaramos a sua actuação como algo para ver “uns minutos”, já que atuava ao mesmo tempo que Richie Hawtin. Acabaria por tornar-se um set memorável, potente e em constante crescimento. Não foi possível desligar de Carista. A Holandesa não deu descanso entre os seus dois pratos. O techno de Detroit fundiu-se com house de Chicago, e teve também broken beat. Seguiu-se, a Carista, um nome importante da música techno espanhola: Angel Molina, set sem o brio de outros tempos. Em paralelo tocava Amelie Lens, a belga nunca vem com “falinhas mansas”, para quem gosta, deve ter sido bom.
O Sónar já agendou a sua 31ª edição, que acontecerá nos dias 13, 14 e 15 de junho de 2024. A pré-venda do SonarPass e do SonarPass+D (padrão e VIP) está disponível desde 20 de junho. O Sonar também passará por Lisboa no próximo ano. O (re)encontro está marcado para os dias 22, 23 e 24 de Março na zona do Parque Eduardo VII. As comemorações do 30º aniversário continuarão em setembro, com a organização da trilha sonora do icónico “Piromusical de La Mercé” de Barcelona.
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