kate dramis

“A Maldição das Santas” de Kate Dramis

Salvação ou destruição?

‘A Maldição das Santas’, de Kate Dramis (Saída de Emergência, 2023), é uma fantasia romântica, com toques sombrios e crises pessoais, sendo a primeira na trilogia, e estreia da autora Kate Dramis no romance fantástico.

Não era a escuridão dele.
Era a dela.
Não é luz, aquilo que te conduz.
Aquilo a que vos agarrais… vai destruir-vos.

Dramis, tem uma predilecção por mundos fantásticos e histórias de amor, e como tal, inspirou-se num sonho onde uma mulher invoca um relâmpago para salvar um amigo, criando, assim, ‘A Maldição das Santas’, onde o leitor é apresentado a um mundo com diversos reinos aliados e rivais, uma profecia complexa, e os gritos iminentes de guerra.


O enredo apresenta os ingredientes de uma boa história de fantasia, desde uma premissa com potencial para ainda ser mais elaborada, a reinos em conflito, um sistema mágico coordenado, uma profecia, e personagens falhos.


Considerado por Dramis como sendo do género adulto, e apresentado como jovem-adulto, parte da coleção Bang! da editora Saída de Emergência, o livro tem, realmente, uma ou outra cena mais picante, mas relativamente ‘soft’. Algo que, afirma a autora, vai ser ainda mais intenso, quer nas cenas íntimas, quer nos temas explorados. O segundo livro da trilogia, ‘Curse of Sins’, está previsto sair, no original, a 20/06/2024, pela Penguin Books.

Era uma honra seguir os deuses e o reino, disse para si própria.

E, para alguém como ela, talvez fosse também uma penitência.

Um ponto, que pode ser significativo ou não, é que tudo parece girar em torno do número 3.


Da divisão da história em três partes: Os Predadores e a Presa, Inimigos e Aliados, e Pecados e Santas; aos três narradores: Aya, Will e o Príncipe do reino de Trahir, Aidon; à Tríade da Rainha Gianna de Tala, composta por Will, conhecido como Príncipe Negro de Dunmeaden ou o Justiceiro da rainha, o seu segundo; Aya, a Terceira da rainha, a mestre-espia, conhecida como os “Olhos da Rainha” e Tova, a general, que ninguém deseja ter como inimiga. Uma tríade certeira, eficaz e extremamente mortífera; e até as 3 ordens Visya: Corposoma (poderes fisicos), Dultra (poderes dos elementos), e Espri (poderes da mente, emoção, sensações).

O Decachiré quase destruiu o reino, pois os seus praticantes expandiram o seu poder obscuro com um objetivo: tornarem-se suficientemente poderosos para matar os deuses.
Mas Evie… salvara-os a todos.

O leitor descobre que centenas de anos atrás, antes do sacrífico da Santa Evie, o poder dos Visya antes não tinha limitações, tendo sido, posteriormente, moldado em qualquer um dos nove poderes. Esses poderes individuais, ficam contidos no “poço”, um tipo de reserva do poder de alguém, que tal como uma barragem, em caso de excesso de uso desse poder, pode levar o visya a extinguir-se por completo.

“A Lenda dizia que os deuses haviam criado os lobos sagrados para protegerem Tala, o Reino Original, juntamente com os Visya. Eram destinados a ser seus iguais, a sua família sagrada.”

Há uma breve apresentação aos Athatis, os lobos sagrados emparelhados aos Visya, que vivem num complexo, um celeiro de madeira, longe dos Aposentos e da cidade, devido ao risco que representam.


Brien e Tyr (lobo ligado a Aya), são, então, protagonistas de um momento perigoso, com toda a potencialidade de se tornar fatal, que como rápido surgiu na história, assim se resolveu sem mais explicações.
Um elo entre lobos sagrados e Visya que merece ser explorado com mais detalhe nos próximos livros.

Ela estava quase a rebentar. Aquele sentimento fervente e furioso dentro dela estava a crescer, pondo-lhe o sangue em ebulição até poder jurar que conseguia cheirar o fumo, e caiu de joelhos na clareira.

Aya, é uma dedicada Visya dos Dyminara. Espia da Rainha, e excelente no seu trabalho, tem que investigar em conjunto com Will, o homem que mais irritação lhe provoca, se as suspeitas da rainha são reais, e se Kakos está realmente a planear começar uma guerra com Tala.


Mas por trás, desde enredo político, também se encontra um motivo mais obscuro. Os antigos seguidores e praticantes do Decachiré, a prática negra abolida após o sacríficio de Evie, sabem de uma profecia antiga e secreta, e não vão parar até conseguirem capturar a nova Santa, cujas habilidades vão além das permitidas aos Visya, aquela peça do xadrez que pode decidir o resultado final da guerra.

A derradeira prova de poder político, e não só, tem lugar num dos outros reinos vizinhos, Trahir. Serão momentos de tensão, jogo duplo e traição.

Tinha sido uma esperança.
Uma esperança que tinha entrado nela.
Uma esperança a que o povo se tinha agarrado, durante séculos.
Aquela esperança ia destruí-los a todos.

‘A Maldição das Santas’, de Kate Dramis, é uma história promissora, repleta de magia, poder, segredos, mentiras e omissões, onde a arte da manipulação é a palavra de ordem. Um clima de maquinações políticas e religiosas, onde todos são meros peões num jogo em busca do poder absoluto.



There are no comments

Add yours

Pin It on Pinterest

Share This