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Sónar 2019

A apostar na diversidade e nos ritmos globais.

Há algumas coisas em que pensamos quando nos lembramos do Sónar: organização ímpar, grandes palcos e sistemas de som sem paralelo. Este ano não foi exceção à regra.

A 26º edição do Sónar, festival de música avançada de Barcelona, ficou profundamente marcada pela imensa diversidade de ritmos durante os três dias do evento e, também, pela franca diminuição do publico, comparativamente à última edição. Este ano o festival contou com menos 20 mil pessoas que no ano anterior. Muito especulamos sobre as razões nesta diminuição na procura de ingressos. Cartaz menos atrativo? Alteração do habitual mês de junho para se realizar em julho? Cada vez mais ofertas de festivais em Barcelona? Muitos créditos gastos da organização, e participantes no ano passado? Todas estas parecem razões válidas para explicar esta diminuição de afluência do publico.

Parece uma resposta arrojada, mas, o Sónar é um evento em constante inovação e mutação. Podemos mesmo especular que seria mais fácil para a organização repetir um cartaz com nomes que esgotassem rapidamente as bilheteiras, mas não, a opção recaiu em levar artistas emergentes e que na maior parte, quase não se enquadram na dance music, mas sim, na música urbana.

Indo ao que interessa, das performances dos artistas, começamos por destacar o set de encerramento do primeiro dia de Daphni a.k.a. Caribou. O SónarVillage encheu para uma atuação de afirmação como um dos nomes incontornáveis da música do seculo XXI. Underworld, em grande forma, tocaram todos os hits das últimas quatro décadas: “«Born Slippy», «Rez», «Everything, Everything» e até «Moaner». Nota para o soundsystem não ter estado à altura do duo do Pais de Gales.  Four Tet, também na segunda noite, pode ser descrito como: Brilhante! Único! Poderoso!  Sem qualquer recurso a efeitos visuais, tudo centrado nele e na sua música, teve uma atuação que a RDB considera como a melhor de todo o festival. Azar teve DJ Koze que veio de seguida e não foi capaz de manter o ritmo.  Paul Kalkbrenner encheu o SónarClub e foi igual a si mesmo, com uma projeção gigante sua de fundo, tocou todas as que tínhamos direito, fumando um cigarro em cada uma. Parece que as adições não se ficaram por «Berlin Calling», antes esta… Dixon é, para muitos, o melhor dj da atualidade e encerrou o último ByNight como mais ninguém o faria.

Toda esta descrição que a RDB acabou de fazer é a típica de qualquer Sónar, mas o Sónar 2019 não foi isto. Foi mais Arca a dançar semi-nua, tapada por pequenos pedaços de cabedal, no SónarHall. Atuação imersiva, com constantes mudanças de roupa, chocante, provocante, não obrigatoriamente atrativa musicalmente. Em 2019 foi Virgen Maria nua sentada, apenas com os cabelos as esconder as suas partes íntimas, a misturar e dar power a malhas bimbas de reggaeton. A entrada a cavalo do rapper Cecilio G. foi algo a recordar. Red Axes live, os Israelitas, repetentes nestas andanças, enquadraram neste Sónar. Improvisaram, misturaram techno com funk, punk e ritmos africanos e ainda tocaram os hits com um vocal de uma miúda rebelde. Em breve serão um dos headlines do festival catalão. O “nosso” Branko assentou que nem uma luva nesta edição. Um dia depois de ter atuado no Super Bock, encheu de boa onda o SónarVillage.

Nota ainda para A$AP Rocky, o rapper de Harlem, não ter “aparecido” por estar detido na Suécia há cerca de um mês e, para o concerto da catalã Bad Gyal, a mulher de que toda a gente fala em Barcelona, que promete ser um fenómeno ao nível de Rosalía.

Mudança de paradigma neste ano, que contribui para maioria dos presentes não ficar agradada. No entanto, a RDB mantem a ideia de que a organização do Sónar prefere mesmo não permanecer na zona de conforto e atirar nos sempre a todos para um lugar sempre mais à frente. O Sonar define tendências e lamentamos por todos que sentiram que este empurrão aconteceu rápido demais.



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