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Soul Sacrifice Delta – PS Vita

Submissão ou Liberdade

Em 2013, Soul Sacrifice estava imbuído de um espírito salvador face ao insucesso da PS Vita enquanto plataforma. Os responsáveis da Sony apostavam muito nas aventuras mágicas concebidas pelos técnicos da Marvelous AQ que levavam o jogador para cenários de ação idealizados pela dupla Shomikava/Inafune.

Um ano depois, com a Vita mais confortável no exigente mercado das consolas, Soul Sacrifice Delta surge como uma lufada de ar fresco em relação a um jogo que marcou a sua posição e arrastou muitos milhares de fãs a apostaram dezenas de horas ao serviço da fantasia de personagens como o cínico e irascível Librom, a errática Sortiara ou a encarnação do mal: Magusar.

Mas tal não quer dizer que estamos perante uma sequela. Aquilo que Soul Sacrifice Delta oferece é uma espécie de versão deluxe do jogo editado no ano passado e que se assumia também como um concorrente de peso face a Monster Hunter. É o regresso ao mundo sórdido da feitiçaria mas com muitas novidades sejam elas sinónimo de passos de mágica, novos combos, trajes, aliados e inimigos ou tarefas. Em troca, exige-se aplicação face a um gameplay mais rápido onde a experiência pode ser o fator que desequilibra a balança.

Logo nos primeiros instantes do jogo somos transportados por uma sensação de déjà vu. Magusar continua a fazer vitimas, a prender almas perdidas que têm no sarcasmo de Librom o eventual caminho para a salvação. A atmosfera gótica (excelente a banda sonora) continua muito atraente e é sob esse espetro que o nosso companheiro em forma de livro nos apresenta as opções.

O embrenhar das páginas de Librom revela crónicas e aventuras diversas, explora histórias passadas e transforma as mesmas, mediante a nossa vontade, em episódios revividos, em formas de um dramatismo narrativo que tem no modo Mad Chronicle um exemplo concreto.

Porque o que é bom é para ser repetido, é com todo o prazer que reavivamos memórias e deixamos que as Phantom Quests nos levem para o campo de batalha para defrontar goblins, orcs e muitas outras criaturas, algumas delas verdadeiras surpresas e sinónimo de simbiose face a outros quadrantes da fantasia.

Para aqueles que ainda não estão familiarizados com o gameplay de Soul Sacrifice, é importante entender que estamos perante um jogo em que a ação se desenrola em particulares mundos em forma de arena finita mas que na versão Delta evoluíram face a uma por vezes pouco entusiasmante repetição no jogo-mãe. Tal acontece porque os inimigos cresceram de forma exponencial, de forma tão vigorosa que a sensação de pesadelo extravasa universos e alguns dos mais poderosos e interessantes assumem a forma de uma transcendente amálgama entre personagens que se cruzam entre a Branca de Neve e o Capuchinho Vermelho ainda que metamorfoseados em terríveis monstros. Definitivamente, os “três porquinhos” de Soul Sacrifice Delta não são recomendáveis…

Em termos de sistema de luta na arena de combate, Soul Sacrifice Delta está também diferente. A intensidade mantém-se mas os “ataques” perderam um pouco de poder, o que leva a repensar estratégias. Aliado a tal foram também pensadas novas ferramentas que quando adquiridas se revelam essenciais em batalhas futuras. A brutalidade cedeu algum espaço ao plano tático, termo pertinente face à conjuntura futeboleira dos dias de hoje.

Felizmente, Soul Sacrifice Delta superou-se. Continuamos a salvar ou sacrificar almas, com o auxílio dos comandos “L” e “R”, a coleção de “lacrimas” é recomendável e perante a morte na arena podemos optar pelo sacrifício, morte ou salvação. Mas, e tal tanto serve de alento para novos jogadores ou “veteranos”, há mais. O contexto narrativo revela novas aventuras e como novidades maiores estão três novas realidades: “Sanctuary”, “Avalon” e “Grim”. Se no primeiro caso o objetivo é salvar todas as nossas conquistas, “Avalon” é a sua antítese e o sacrifício é a palavra de ordem. Já “Grim” é um misto das duas. Independentemente do objetivo final, acreditem, o nosso personagem vai absorver dados e valores de cada um desses “estádios”.

Recomenda-se vivamente também diversas alianças que possibilitam recompensas em forma de pontos para o nosso feiticeiro enquanto assumindo o papel de “archfiend”. Esses bónus podem ser descarregados através do PSN. Semanalmente, são declarados grupos vencedores espalhados pelo globo que vão desbloquear feitiços e prémios. Outra das vantagens deste modo de jogo é a sua não-exclusividade face a uma qualquer horda o que possibilita ao jogador tentar a sua sorte de acordo com os grupos que mais garantias lhe oferecem de acordo com as suas pretensões momentâneas.

Outra das grandes novidades de Soul Sacrifice Delta é Alice Eternal Maze, um modo de jogo que permite um combate eterno e que vai testar a paciência e a capacidade de sofrimento de cada jogador. Aqui não há regras, apenas objetivos assim como um personagem novo: Bazaar Ledger, um livro que serve de ponte entre fações e que, quando bem utilizado, oferece items raros e muito pertinentes. Para além disso, Bazaar permite alterar a aparência dos feiticeiros, algo que também já era possível com Librom.

No que toca à componente gráfica, existem algumas melhorias pontuais mas o que mais se destaca são as novidades narrativas e em termos de personagens. O ambiente continua muito atraente e mantém uma atmosfera decadente e gótica que resvala para ecos fantasmagóricos onde a fluidez dos movimentos dos personagens se encaixa na perfeição. O que, mais uma vez, peca por escasso é a interatividade face às potencialidades da VIta cujos ecrãs frontal e traseiro são muito pouco requisitados.

Ainda que estejamos perante um jogo que devido à sua “monotonia” deva ser consumido em doses moderadas, Soul Sacrifice Delta é uma aposta ganha e é um dos maiores expoentes no que toca a jogos onde o negrume e a ação são palavras de ordem. A PS Vita respira saúde e crescem os jogos que fidelizam os seus seguidores. Afinal, alguns sacríficos valem a pena.



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