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The Evil Within 2 | Análise

Um daqueles felizes casos em que a sequela supera o título original!

A acção de The Evil Within 2 tem lugar três anos após os eventos do primeiro jogo (que não posso deixar de recomendar que o passem para compreenderem melhor toda a narrativa). Ainda atormentado por tudo o que aconteceu no hospital psiquiátrico de Beacon, Sebastian Castellanos recebe novas pistas que lhe indicam que a sua filha – que ele julgava ter perdido num horrível incêndio – está viva. Viva mas não em segurança, para a encontrar o protagonista não hesita em mergulhar uma vez mais no pesadelo que é o sistema de simulação STEM, desta vez utilizado para gerar uma idílica pequena cidade americana.

Claro que não estaríamos aqui se a experiência tivesse corrido bem. De nome Union, depressa nos apercebemos que esta cidade é tudo menos idílica. Algo correu horrivelmente mal e os membros desta simulação ou foram transformados em horrendas criaturas ou lutam desesperadamente pela sua sobrevivência. Se quiser encontrar a sua filha, Sebastian terá conseguir resolver o mistério que se esconde por detrás de todo este horror.

Foi por volta do terceiro capítulo que The Evil Within 2 realmente me prendeu, num misto entre Silent Hill e State of Decay. Graças a um sistema de lock-on de objectivos pude perfeitamente organizar a minha expedição por esta cidade, facilmente discernindo entre o que é opcional e quais os objectivos que avançam a narrativa principal. Ao oferecer-me uma cidade inteira por explorar a meu bel-prazer, percorrer as ruas da cidade ao som de gritos e urros foi qualquer coisa de horripilante, com a adrenalina num constante sobe e desce, à medida que os sons ora estavam cada vez mais próximos ou se começavam a afastar. Prova de que consegui escapar na direcção certa.

Desde vagões de comboios descarrilados a apartamentos à primeira vista vazios, será que ia encontrar um sobrevivente ou documento que melhor me ajudasse a perceber o que aconteceu à cidade de Union? Será que ia encontrar munições, partes de armas ou materiais de crafting? Ou será que ia simplesmente dar de caras com uma morte prematura? Graças a uma maior amplitude dos cenários do jogo, alguns que até funcionam quase como um mundo-aberto, a exploração é mais do que obrigatória e bem mais gratificante!

Quando não estava a explorar, estava a dar avanço à narrativa principal que, por sua vez, se mostrou bem mais envolvente nesta sequela e a cereja no topo do bolo que é The Evil Within 2. Com alguma previsibilidade aqui e reviravoltas acolá, ora assumindo o género Thriller colocando-nos no encalço de um assassino em série ou o mais tradicional género de survival-horror, sobretudo em secções mais grotescas que culminavam em boss fights, foram vários os momentos memoráveis que me proporcionou.

Em termos de jogabilidade, The Evil Within 2 pouco difere do seu antecessor mas mentia se dissesse que não surge mais refinado. Face aos vários perigos que assolam a cidade e os túneis subterrâneos da cidade de Union, o perigo espreita literalmente a cada esquina. As armas são várias, desde pistolas a uma besta ou espingardas, mas as munições são escassas e há que discernir quais os momentos em que devemos abrir fogo, ou adoptar uma acção mais furtiva. Ao explorar os cenários em redor ou com o simples derrotar de inimigos, muitas vezes vamos encontrar Gel que podemos gastar para desenvolver as capacidades ou resistências de Sebastian. Já o sistema de Crafting mostra-se também ele bem robusto, permitindo-nos criar itens de cura ou até mesmo munições. Idealmente vão querer desfrutar deste sistema em locais seguros complementados por uma oficina, uma vez que lá fora os materiais são gastos a dobrar.

The Evil Within 2 é, para mim, um daqueles felizes casos, poucos, em que a sequela supera o título original. Mesmo sendo um confesso fã do género survival-horror, a primeira entrada desta série a cargo da Bethesda não me conseguiu prender, por muito intrigante e obscura que fosse a narrativa à volta de Sebastian Castellanos. Com The Evil Within 2, porém, o caso mudou drasticamente de figura, ao mostrar-se menos linear e mais convidativo à exploração, sempre de mãos dadas com uma narrativa mais envolvente e coerente, ainda que por vezes algo previsível. Já o trabalho de som e o grafismo, são ambos de grande qualidade e não se pouparam em mostrar-me que estava perante uma experiência digna do género survival-horror!



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