The Feeling @ Aula Magna

Um sentimento tipicamente britânico

Estão em alta em terras de Sua Majestade. Praticam uma pop com algum contacto com nomes francamente populares em Portugal como os Keane, por exemplo. Contudo, algo falhou no apelo massivo ao concerto dos The Feeling na Aula Magna: apenas meia casa recebeu os autores de “Twelve Stops and Home” na sua estreia em Portugal. Porquê? Falta de promoção ao concerto não faltou. O disco tem tido airplay radiofónico e promoção interessante. Não havia derby futebolístico na noite de sábado. Demasiada oferta vs. reduzido orçamento cultural? Ficam as dúvidas a levantar numa qualquer outra discussão que por ora não interessa por aí além.

Pouco passava das 21h00 quando os nacionais The Poppers abriram as hostilidades perante uma Aula Magna relativamente despida. “É bom ouvir-vos”, anunciam após as primeiras palmas. A sonoridade dos The Poppers não é original, longe disso. Reciclam uma linhagem rock de origem inglesa, imaginário Mod à cabeça, o arrojo musical de bandas como os Kinks ou The Who como naturais influências. “Days of Summer”, o single, foi recebido com palmas e entusiasmo. No entanto, os restantes temas não lhe ficam nada atrás em matérias de entusiasmo, visível na banda e em boa parte do público. É caso para dizer que os The Poppers fizeram alguns amigos nesta actuação. Poucos, mas bons.

Já com a casa um pouco mais preenchida, os The Feeling entraram em palco como em disco: a arrasar. “I Want You Now” deu o mote para um concerto energético e tecnicamente irrepreensível. Curto (pouco mais de uma hora), mas sempre certeiro. Pouco diferente do que em disco, certo. Fica no entanto a certeza de uma banda com uma óptima presença em palco, notória essencialmente na figura de Dan, vocalista a lembrar por vezes Pete, dos The Hives, embora num registo menos espalhafatoso. Tocam “Twelve Stops and Home” quase na íntegra e apresentam uma novidade, um tema novo a incluir num segundo registo de originais. Um tema com novas pistas: desvendam-se influências de Scissor Sisters a começo e sente-se uma força em crescendo ao longo do tema.

Os The Feeling podem não ser recordados daqui a alguns anos, mas por ora servem perfeitamente os seus interesses: praticam uma pop descomprometida, livre, orelhuda, não raras vezes viciante. Em disco fazem valer-se de enorme aparato a nível de produção mas, ao contrário do que se esperava, ao vivo a coisa consegue soar ainda mais apelativa. O final, em encore, ao som de “Blue Picadilly”, foi apenas a cereja no topo do bolo de um espectáculo de boa pop actual com ponto de partida no passado e alguma esperança no futuro.



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