Submarine

“the next album” é motivo de entrevista.

Vila Nova de Famalicão tornou-se, durante o último ano, um dos pólos mais importantes da cultura acima do Mondego. A excelente programação e condições da Casa das Artes, foi fundamental para colocar a vila no mapa cultural português, particularmente no que diz respeito à música. Mas, antes de Famalicão ter-se tornado na meca nortenha da música ao vivo, já existia uma banda que colocava o nome da vila no panorama da música nacional: os sUBMARINe.

Formados em Abril de 2000, tendo tido a sua apresentação pública no Coliseu do Porto num curto concerto transmitido pela Antena 3, os sUBMARINe têm cimentado a sua posição na música nacional conseguido, desde 2002, editar um registo de originais por ano. A estreia deu-se com o EP “world flavoures” e o primeiro álbum de originais, “spaces&places”, que foi muito bem recebido pelos media, surgiu em 2004.

No decorrer deste ano e, seguindo a filosofia das edições anuais, surgiu no mercado “the next album” (não podiam ter encontrado um título mais apropriado), editado pela TAWM (The Acoustic Wash Machine) e distribuído pela Musicactiva, conseguindo assim uma maior visibilidade, quer nos media, quer nas lojas.

Este novo conjunto de canções do projecto de Famalicão vem consolidar todo o percurso da banda e acrescentar uma nova vertente mais radiofriendly e comercial (não no mau sentido desta palavra, vista por muitos como a antítese da qualidade). Embora a pop electrónica dos anos 80 esteja presente em praticamente todo o disco, essa influência não se torna castradora e apenas serve de base para um conjunto muito interessante de 11 canções.

Uma das maiores virtudes de “the next album” é a sua fluidez, que advém da diversidade das opções estilísticas da banda. Se nas primeiras três faixas que abrem o registo («overwork souls», «alleluyah» e «21 century»), o electro/pop/rock domina quase por completo. O cenário altera-se a partir da quinta faixa, «teenage pop song 2006», provavelmente uma das “canções” pop mais interessantes do disco e do ano.

A diversidade acentua-se com o desenrolar do disco. «about you and me», «you can get up and dance» são claramente duas das faixas mais orelhudas e que têm contribuído na divulgação do trabalho da banda, dentro e fora do país (ver mais à frente na entrevista).

Para ficarmos a conhecer melhor os sUBMARINe, este seu novo trabalho e a opinião deles sobre a nova realidade de Famalicão, colocámos algumas perguntas à banda. Fiquem com a entrevista e depois participem no passatempo.

RDB: Desde “world flavoures”, o vosso EP de estreia, têm estado sempre “activos”. Como foi o percurso até este disco?

sUBMARINe: Este é o segundo longa duração, o primeiro foi editado em Maio de 2004 e chamava-se “spaces&places”. O percurso ao longo destes anos tem sido tranquilo, sem grandes pressões, concluindo de forma positiva o desafio a que nos propusemos: um disco por ano.

“the next álbum” é o disco certo na altura certa? Teriam editado mais cedo se fosse possível?

Há quem nos diga que o disco devia ter aparecido no princípio do ano, para podermos estar em alguns palcos (festivais). No entanto não foi possível porque houve uma fase de composição, que seguia um caminho, premeditado, visando uma mudança de estética sonora. Neste sentido pode dizer-se que é o disco certo, no timing possível.

A vossa sonoridade é uma amálgama de géneros e influências, mas sempre com os anos 80 como base. Concordam? Que importância teve a música dessa década nas vossas vidas?

As sonoridades de 80 para mim [Jorge Humberto] estão sempre muito presentes, uma vez que vivi de forma intensa toda a corrente da década. Foi no mítico Rock Rendez Vouz que começou a viagem. Em relação aos outros membros da banda, os 80 chegam via coisas mais actuais, que bebem na fonte dessa época. Então é só juntar o útil ao agradável.

A expressão DIY( Do it yourself) parece que faz cada vez mais sentido quando um projecto quer mostrar o seu trabalho. Que tipo de apoios tiveram na gravação deste disco?

Os apoios para a gravação do disco foram nulos, uma vez que felizmente temos um estúdio que nos dá todas as condições necessárias para fazermos um bom trabalho. Depois, dispomos de todos os conhecimentos técnicos, sejam eles de captação, produção etc.… Portanto, em termos de gravação não existe a necessidade de despendermos dinheiro. Por outro lado, o DIY confere toda a tranquilidade em termos de tempo para fazermos as coisas, sem pressões.

«about you and me» tem tido uma agradável divulgação em algumas rádios. Não acham que a faixa pode tornar-se um pouco redutora no que diz respeito à sonoridade da banda?

Penso que não! Uma das primeiras preocupações foi a de escrevermos uma ou duas canções que pudessem facilmente entrar nas rádios, independentemente do retorno que isso pudesse trazer. O efeito já se tem notado. Nos concertos há muita gente que canta a música porque já a conhece e essa é uma forma de identificarem a banda. Não digo que daqui a pouco não andemos todos saturados de a tocar, mas são, apenas e só, 3 minutos e ao vivo este tema, como os outros, tornam-se muito mais intensos. Por outro lado, já andamos todos um pouco fartos de ser “alternativos radicais”. Infelizmente, para chegarmos às rádios, muitas vezes temos de optar pelo refrão rápido. Se a regra do jogo é essa, vamos lá… Embora haja gente que considera este disco, um disco de singles e que todos os temas vão rodar nas rádios. Oxalá!

Qual a importância da escolha de «you can get up and dance» para a compilação da editora londrina Brains for Muscle?

Foi uma agradável surpresa o facto de termos sido convidados e um enorme privilégio. O myspace tem destas coisas, já nos tinham avisado. O tema personifica muito a banda: guitarras/electrónica/dança. Quando a responsável pela Brains nos disse que passava o tema nos dj set dela e que as pessoas dançavam e cantavam o refrão, foi muito bom. O tema saiu no single de promoção, juntamente com o «About you and me» e por vezes questionamo-nos por que razão é que em Portugal escolheram um tema para rodar nas rádios diferente daquela que seleccionaram fora do país? O que vemos é que algumas das rádios fora do país que rodam temas nossos preferem o «you can get up and dance». São escolhas…

Estão a pensar numa carreira no estrangeiro e colocar este disco à venda no mercado internacional?

Está pensada com uma distribuidora fazermos uma edição para o exterior. Mas não é nenhuma obsessão pensar em carreira internacional. Existe Portugal e para já queremos conquistá-lo. As oportunidades que existem para fazermos concertos fora do país vamos agarrá-las, mas são apenas mais alguns concertos. Não encaramos isso como carreira internacional, mas antes como mais forma de darmos o nosso trabalho.

Famalicão tornou-se num dos pólos culturais mais importante da região Norte através da excelente programação da Casa das Artes. Como têm assistido a esta dinamização?

Assistimos ao crescimento da Casa das Artes com orgulho, uma vez que nós temos alguma responsabilidade nesse crescimento. Muitos projectos que por aqui passaram foram sugestões nossas, muitas vezes o Paulo Brandão, o anterior director, pedia a nossa opinião sobre muito do que queria trazer. É um indivíduo humilde, ao ponto de não recear expor as suas limitações. E foi precisamente essa humildade que contribuiu para que ele procurasse o apoio daqueles que, de certa forma, poderiam ser úteis a ele e à Casa das Artes. Na realidade, aquele espaço e a cidade atingiu um patamar importante na cena cultural.

Acham que a passagem de testemunho nos destinos do espaço pode colocar em causa o trabalho efectuado?

Esperamos sinceramente que não! Assim, como quando o Paulo aqui chegou foi pedindo a opinião de quem estava ligado a determinadas áreas, esperamos que exista essa capacidade por parte de quem agora cá está para continuar a contar com quem já ajudou e continua interessado em ajudar. Espero que o variado público que se foi criando não se perca para Braga ou Guimarães. Mas vamos esperar para ver.

Portugal já tem um circuito de salas para actuações ao vivo. Concordam com esta afirmação?

Portugal tem um circuito razoável mas podia ser melhor se fosse criada uma cultura de concertos. Os grandes festivais contam cada vez menos com bandas nacionais e as salas pequenas por vezes não têm as mínimas condições. Mas existe o factor “vontade de” por parte de todos, o que por si é muito importante. Esse factor exige às bandas um enorme espírito de sacrifício porque na maior parte das vezes todo o suporte financeiro/logístico tem de ser assegurado pelos músicos que, se dependessem da música para viver, seria complicado. Em suma, as salas existem, agora é preciso criar uma cultura de concertos em pequenos bares/clubes, porque só assim haverá cada vez mais espaços, concertos e público.

Acham que existe um maior interesse na nova música nacional? Quais as principais razões?

Penso que o advento da net com espaços de divulgação como o vosso [RdB] e a aposta de algumas rádios locais com programas de autor direccionados para a área e sobretudo a aposta séria da Antena 3 tem vindo a mudar o estado das coisas, o que é muito bom. Por outro lado, os músicos já vão tendo uma maior preocupação no sentido da qualidade de apresentação dos seus trabalhos. Caminhamos no bom sentido. Acredito que daqui a vinte anos todos nós iremos estar orgulhosos por termos ajudado a erradicar o preconceito em relação à música nacional.

Quais os objectivos, comerciais e não só, com “the next album”? Têm actuações agendadas?

Os nossos objectivos comerciais passam por fazer o disco chegar ao maior número possível de pessoas, tocar muito e ganhar, apenas e só, mais um euro em relação ao que gastámos nesta edição. Felizmente temos concertos agendados até Outubro e, com certeza, que o ano vai ser bom para os sUBMARINe.

A música é aquilo que querem fazer na vossa vida? Pretendem “viver” dela? Já existem planos para outras gravações?

Não vivemos da música, mas precisamos dela para viver. Vamos fazer música durante muito tempo, ela significa o nosso equilíbrio emocional/mental e isso é muito importante para nós. Somos workaholics! Estamos a promover o novo disco e já estamos a pensar no próximo. Pensamos em 2007, por esta altura, já estar em estúdio a gravá-lo. Pode ser que de repente apareçam umas remisturas, música para teatro/cinema, entre outras coisas.



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