The Kooks @ Sagres Campo Pequeno (06.03.2026)
Vinte anos e uma vida toda pela frente.
De portas abertas, o Campo Pequeno foi, a par e passo, enchendo. E, dessa forma, sem saltos em falso, ficou arrebatado. São 21h e Girl In The Year Above toma conta do palco. Uma fluída energia recai sobre todos. Conta-se a história de uma banda recém-formada, em forma e sem defeitos. Um conto de fadas ainda por desvendar… Uma performance emotiva e mágica que nos rendeu e deixou com vontade de mais – um ritmo alucinante aliado a uma voz firme e cheia de detalhes. Detalhes ferozes esses que nos aliciariam em direcção a uma noite que seria muito feliz e nostálgica.
Até à entrada dos The Kooks, houve tempo para uma “Sweet Caroline” (Neil Diamond) a plenos pulmões. Enchemo-nos de ar, respirámos fundo, e às 22h entra em palco a banda britânica. Surgem todos bem parecidos para uma hora e meia de deslumbramento. Seria o último concerto (desta) tour. E mais do que a celebração de um tempo presente que se fez jovial e prático, foi um espectáculo que realçou um tempo passado honesto e convincente. São vinte anos de The Kooks, desde que lançaram “Inside In/Inside Out”. Quatro mãos cheias que correspondem a uma bolha da qual não se quer sair – afinal, os “ambientes protegidos” nem sempre nos isolam, nem sempre são maus; neste caso, fomos mais livres e atentos.
«She Moves In Her Own Way», «Junk Of The Heart (Happy)», «Seaside», «Bad Habit», «Sweet Emotion», «Always Where I Need To Be», «Eddie’s Gun», «Do You Wanna», «You Don’t Love Me»… são algumas das canções que valeram aplausos imensos, coros inabaláveis e emoções positivas várias. Vinte músicas entoaram – número da sorte, creio. Ao encore, claro, pertenceu a «Naive». «Sunny Baby» foi a única melodia cantada do seu mais recente álbum Never/Know.
Vamos pela vida em galope e criamos ferida com o quanto ela é capaz de nos golpear. Não somos capazes de pôr vírgula, de colocar pontos finais e, até, se for preciso, de acrescentar parêntesis. Aos The Kooks, sinto-lhes uma sabedoria certeira, a partir da qual as memórias são motivo de crescimento. Atentemos na voz de Luke Pritchard e percebemos que o tempo é relativo – que há coisas que não mudam independentemente de poderem melhorar. Até uma camisa preta com brilhantes tem muita história para contar.
Um palco despido, concentrado. Variações alternadas de luz branca e vermelha. Objectivo. Quatro artistas em palco e o ritmo que não cede, pelo contrário é alavanca. Vozes que harmonizam profundamente e um instrumental que é impressionante. Uma «See Me Now» ao piano – uma bonita e sentida homenagem. Em nada ignorantes.
O concerto, em suma, e apesar de ter sabido a pouco, valeu a galinha inteira. Como quem diz, a música ao vivo vale todas as penas. E, neste caso, acabou por ser mais do que isso – sem cacarejar, mas sim com total lealdade.
“Another 20? See you!” E que venham mais 20! E mais 20! E mais 20!
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