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The Pulse

O recuperar do jazz cool com uma atitude pop.

São dez temas a pulsar pop, soul e jazz reunidos num disco onde “o estilo nunca esteve definido à partida”, garante a vocalista Joana Alegre. «No Match», o single de estreia dos The Pulse, já se ouve pelas rádios portuguesas e o lançamento do álbum homónimo está previsto para o próximo dia 30 de Janeiro.

O jazz encarregou-se de juntar Mário Monteiro (guitarrista) e Paulo Muiños (baixista) em 2003, mas só dois anos mais tarde é que os músicos decidiram arregaçar as mangas e começar a tocar alguns standards. Gradualmente, foi surgindo a necessidade de compor temas originais, que se traduziam em instrumentais de jazz. “No princípio as músicas eram num ambiente mais jazz, mas progressivamente fomo-nos libertando um bocado dessa referência e andando noutras direcções”, conta Mário Monteiro. Aliaram-se então a outros cinco músicos (Gilberto Costa – saxofonista tenor, Tino Dias – baterista, João Raquel – trompetista, Tó Bravo – trombonista e a Raimundo Semedo – saxofonista Barítono) com a certeza de que dali resultaria um grande projecto que hoje toma forma nos The Pulse, com base em diferentes sonoridades. De facto, quando se percorre o disco é possível reconhecer as influências jazzísticas bebidas na formação dos músicos ligada a uma musicalidade mais descontraída, mais leve.

A voz doce e apaixonada de Joana, com um timbre próprio das cantoras de jazz, foi o elemento chave para a criação da banda. Mário confessa que tocar ao vivo apenas com instrumentais não era tão aliciante e foi nesse momento que iniciaram a busca pela voz! “Os originais foram acontecendo e amadurecendo e sempre sentimos que faltava ali uma voz e o círculo só se fechou com o timbre, a atitude e a forma como a Joana sente a música. Enquadrou-se muito bem e só aí começou a fazer sentido partir para um projecto de originais.”

The Pulse

Mais do que uma voz que preencheu os instrumentais, Joana Alegre agarrou o projecto desde o início, escrevendo nove dos dez temas que compõem o disco. Uma tarefa nada difícil de desempenhar, afirma. “Quando ouvi os originais senti que era qualquer coisa de muito diferente e identifiquei de alguma forma. Havia títulos para as músicas e usava o título como um desbloqueador natural para escrever uma letra que estivesse de certa forma relacionada com o título e com o meu estado de espírito.” À excepção de «Vinicius», uma bossa escrita em português do Brasil, todas as músicas são cantadas em Inglês. “São as heranças do jazz, são sensibilidades que estão ligadas ao estilo de música, à língua, à cultura”, defende-se Joana a propósito da língua escolhida para compor as músicas. No entanto, Mário deixa a promessa: “acredito que um dia vamos cantar em português!”

Para já, as ambições são outras. Com o lançamento do álbum marcado para a próxima semana, os oito elementos da banda querem apostar numa forte promoção e na distribuição do disco no iTunes. Daquilo que se ouve nos concertos e se escreve nas redes sociais, as músicas da banda já prenderam muitas pessoas e por isso, outro dos objectivos passa por alargar o número de concertos, tanto em território nacional como no estrangeiro. “Temos boas expectativas para 2012, com concertos cá [em Portugal], mas também no Brasil e nos países africanos de expressão portuguesa”, diz Joana Alegre.

Afinal é no palco, que descrevem como um espaço infinito, que estes músicos ganham pulso e fazem viajar quem os ouve por locais e ambiências surpreendentes. E se agora pretendem dar um impulso mais forte com a comercialização do álbum, deixam também a certeza de quererem manter-se genuínos naquilo que fazem, não se identificando com a procura de um sentido mais comercial. “O nosso processo criativo passa muito por uma vontade própria e não querer atingir certos objectivos comerciais”.

A atitude descontraída que adoptam em palco e as boas vibrações que transmitem já conquistaram inúmeros fãs. Houve até quem elegesse «No match» como banda sonora do próprio casamento. No fundo, os The Pulse sentem que estão a ocupar um espaço que não existia no panorama nacional e que atravessa diferentes estilos musicais. “É o recuperar do jazz cool com uma atitude pop e as pessoas gostam dessa mistura”, remata Joana Alegre.

Fotografia por Mário Pires.



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