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Tom de Festa 2025 | Dias 1 & 2 (09-10.07.2025)

Dias de muita festa, daquelas que não cede e nos mantém firmes.

O Tom de Festa – Festival de Músicas do Mundo ACERT, decorreu entre os dias 9 e 12 de Julho do presente ano. A RDB esteve lá no seu primeiro e segundo dia, o que suscitou várias reflexões e amparos. Sob o mote “A Diversidade não é Spam”, o Tom de Festa carregar-se-ia de inquietudes, de encontros, de urgências e de vontades. Ao ‘desemaranhar’ a sua 33ª edição, apresentou-se-nos com uma programação inconfundível.

O primeiro dia de Festival contou com Balklavalhau e A garota não. Dois concertos que à sensibilidade deram consistência e afinco. Os Balklavalhau constituem-se como um grupo de amigos-músicos/músicos-amigos que, através das raízes múltiplas e distintas que os sedimentavam, decidiram formar um tronco comum e uno. Desse tronco, por sua vez, foram surgindo folhas transformadas em sonoridades densas; flores que são músicas disciplinadas pela forma como nos falam; frutos saborosos que contam histórias, memórias, saberes e sensações… no Tom de Festa, em cerca de 45 minutos, partilharam connosco melodias íngremes e, simultaneamente, tímidas (afinal, falar de amor ou de tristeza, falar de boas amizades ou de sofrimento tem esse lado íntimo…). Quatro músicos e quase uma dezena de instrumentos que nos deixaram levar pelo carpe diem da sua bondade. Seguiu-se o ideário poético com A garota não. A artista apresentou-nos o seu mais recente trabalho artístico “Ferry Gold”, começando, desde logo, pel’«A casa de Bernarda Alba» (também a primeira música do disco). O Auditório ao Ar Livre estava repleto de gente atenta, curiosa e, acima de tudo, presente. Escutámos A garota não como quem escuta o mar em imensidão; como quem escuta a natureza em expansão. A garota não mostrou-nos que a serenidade se faz de seriedade; que a estirpe se faz e desfaz; que “nascer zangada” nos torna agudos na permanência e graves na impaciência. Um concerto acompanhado de visuais e de viagens várias que nos desmontaram e desarrumaram, como uma «Aurora» nunca antes vista.

A primeira noite do Tom de Festa foi um aconchego que situou o frio num lugar periférico. O círculo de energia boa foi concêntrico e a gente convergiu. O espaço da ACERT estava disposto a rigor, com uma iluminação (e decoração) que nos cadenciou e prorrogou. Neste dia, foram, ainda, inauguradas quatro exposições. “Festa da Vontade”, por Maria Catarina; “Quando o Algodoeiro Te Responde em Silêncio”, por Rita Rainho; “Tempo Dourado”, por Jorge Coimbra; e “Ilustradores pela Paz na Palestina”, que conta com as obras de mais de duas dezenas de artistas. Da observação à acção; da tentativa de compreensão das coisas que nos prendem, à desconstrução dos limites e do tangível; do grito e do sussurro, dos diálogos e das narrativas, até às relações que se criam e ao enquadramento que se faz no quotidiano; da resistência a mais resistência. 

Surge o segundo dia de Festival e a musicalidade de Rita Vian e Mokoomba. Duas ambiências musicais díspares, mas tão lúcidas e imersas (entre si). Rita Vian terá lançado “SENSOREAL” em 2023 – um álbum que faz da palavra a sua força-motriz; um álbum que faz da percepção o seu intuito-mor. A voz da artista encheu-se de realidade, num palco cru, cheio de sentidos, numa quase ruptura com o que é prudente, vigente. Uma hora de concerto com «Tentar Sempre», «Podes Ficar», «Animais», entre outras. Um momento de versos versáteis e de palavras paladinas. Um senso que se quer real e que, a partir do comum, se torna corajoso. Em seguida, ouve-se Mokoomba, a banda do Zimbabué que colocou todas as pessoas de pé, a dançar. Seis elementos em palco irradiavam um ânimo contagiante, o que se traduziu nos ritmos acelerados e quase alucinantes, como se fosse uma cascata fortíssima (entra aqui também a beleza destas melodias, a água em catadupa com tal impetuosidade que nos abisma). Houve uma certa luminescência, uma certa ardência neste tempo de concerto. E que bom que foi. 

No que concerne à programação ‘paralela’, este segundo dia de Tom de Festa também foi muito fértil. Incluiu a apresentação do livro “Que luz estarias a ler?”, de Ana Biscaia e João Pedro Mésseder; a apresentação musical do Coro da Associação de Ucranianos em Viseu; e, ainda, uma oficina de Serigrafia – “Soa-me Bem” -, pela Casa Estrela. A memória das palavras, aquilo que nos salva; a celebração da empatia, aquilo que nos norteia. 

A RDB viveu dois dias maravilhosos neste trigésimo terceiro ano de vida do Tom de Festa –  Festival de Músicas do Mundo ACERT. Dias de muita festa, daquelas que não cede e nos mantém firmes. O terceiro e o quarto dia de Tom de Festa também foram, certamente, inolvidáveis. E a 34ª edição, que regressará em 2026, também o será, não tenhamos dúvidas (nem percamos tempo a tê-las). 





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