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“Uma casa para o Natal”

O Natal vem da Noruega.

Bent Hamer apresenta-nos a Skogli num 24 de Dezembro habitual. Com uma mestria invejável, Bent introduz-nos numa mistura de pessoas que nos surgem como peças avulso, como se as olhássemos e isoladamente lhes tentássemos atribuir significado.

Com uma dose considerável de voyeurismo, pela realidade e crueza das histórias, fixamos os anónimos da pequena cidade norueguesa, que nos abrem a porta à intimidade das suas ceias natalícias e nos contam, quase sussurradas, histórias de verdade e humanismo.

Impossível permanecer indiferente ou alheio aos pequenos excertos de vida com que Bent nos brinda, como se escolhesse oferecer-nos a sensibilidade de bandeja. Ela não se aprende, vive-se através dos olhos de quem sofre, de quem chora, de quem ama, de quem desiste, e de quem resiste, de quem morre precocemente e de quem agarra a vida a tempo.

A banda sonora passeia sem falhas, e acompanha pausadamente o desenrolar intercalado das horas. O amor e a honestidade unem e separam, a morte e a vida passeiam de mãos dadas, os projectos inacabados colidem com a grandiosidade do futuro na noite em que tudo parece possível. A primeira (e última) noite daquelas vidas. A mãe periclitante, o sem-abrigo famoso, o casal improvável, a mulher traída, o médico adormecido, o pai presente, os idosos esquecidos, as crianças grávidas de sonhos, a rapariga que se perdeu na juventude nem se esforçam para nos conquistar. Vamos com eles, naturalmente, descobrimos calmamente o que os liga, e ansiamos pelo Natal renovador que nos faz acreditar na promessa da madrugada.

Ainda que com as escusadas (ainda que disfarçadas) referências ao nascimento na manjedoura, uma Maria e José modernos e redentores que tentam restaurar-nos a fé na humanidade, e uma evitável música final (única nódoa musical), é filme a espreitar de braços abertos e coração quente.

Estreia a 8 de Dezembro.



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