Velocidade Furiosa 6

“Velocidade Furiosa 6”

Acção imparável, escandalosa e sem vergonha

Saiam da frente “Die Hard” e “Missão Impossível”. O trono para o filme mais inacreditável de sempre tem um novo dono: “Velocidade Furiosa 6”. O mais recente capítulo da série de corridas ilegais assume sem complexos o seu distanciamento da realidade, acumulando sequências de acção que nos fazem perguntar se não estaremos a assistir a um filme de super-heróis. Saltos em câmara lenta sobre precipícios, perseguições a tanques em auto-estradas e as já habituais corridas de carros regadas com doses industriais de adrenalina fazem parte de duas horas recheadas de momentos improváveis.

O próprio filme parece aceitar de bom grado o estatuto de inacreditável, dando até sinais de auto-consciência apreciáveis. A determinada altura, uma das personagens principais comenta em tom irónico o facto do grupo de vilões ser uma cópia, tanto em número como em características individuais, do grupo de heróis. A montagem inicial é também esclarecedora quanto à riqueza narrativa dos capítulos anteriores: em menos de 30 segundos e sem precisar de recorrer a uma única linha de diálogo, o realizador Justin Lin resume todo o enredo da série.

Depois da revisão inicial, encontramos os nossos heróis espalhados por todo o mundo a gozar os frutos do golpe financeiro de “Velocidade Furiosa 5”. Dominic Toretto (Vin Diesel) e Brian O’Conner (Paul Walker) gozam uma reforma antecipada em Espanha com as respectivas caras-metade, mas não por muito tempo. Uma visita do agente Luke Hobbs (Dwayne Johnson) revela o regresso de um fantasma do passado: Letty (Michele Rodriguez) a ex-namorada de Dominic está de volta do mundo dos mortos com amnésia selectiva, para ajudar o vilão tecnológico Owen Shaw (Luke Evans) a conquistar o planeta. Está assim dado o tiro de partida para uma corrida à volta do mundo que passa por Espanha, Rússia, México, Japão e Reino Unido.

As constantes perseguições a velocidades alucinantes certamente serão suficientes para satisfazer os fãs mais ávidos da série, mas para os restantes o verdadeiro motivo de interesse é sem dúvida o despique constante entre Vin Diesel e a ex-estrela do Wrestling, Dwayne “The Rock” Johnson para descobrir quem tem o nível de testosterona mais elevado. A rivalidade entre os dois é o combustível que alimenta alguns dos momentos mais incríveis de “Velocidade Furiosa 6”: Vin Diesel remove uma bala do próprio corpo sem qualquer anestesia e sobrevive sem um único arranhão a uma explosão que reduz um avião militar a cinzas; Por sua vez, Dwayne Johnson obriga um vendedor de carros a dar-lhe toda a roupa que tem no corpo com nada mais que um olhar ameaçador e precisa apenas de dois segundos para se levantar e continuar a disparar após cair de um carro a mais de 100 kms/h. Os pratos da balança acabam por pender a favor de Vin Diesel devido à voz naturalmente mais grave e à sua capacidade de ficar temporariamente imune à lei da gravidade.

“Velocidade Furiosa 6” não será certamente visto como uma das grandes obras-primas do cinema, nem parece ter qualquer vontade de ganhar esse título. Para quem quiser ficar entretido durante duas horas com um filme que não se leva a si próprio muito a sério, aqui está um dos primeiros grandes blockbusters de verão. Todos os outros deverão passar ao lado. Certo é que o sexto capítulo da série não engana ninguém: “Velocidade Furiosa 6” é tão exagerado, espalhafatoso e sem sentido como os filmes anteriores. Com o sétimo filme já na calha, a máquina que já rendeu mais de mil e quinhentos milhões de euros em todo o mundo continua perfeitamente afinada.



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