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Wolfenstein 3D

C:\Wolf3d\Wolf3D.exe - Quem não se lembra de digitar estes comandos na linha do MS-DOS numa sexta-feira à noite depois do jantar e ficar a jogar até ter náuseas?

Maybe it was the fact that people got to blow away Nazis

Afinal de contas, não há aulas no dia seguinte, e como estamos em 1992 a internet ainda não foi inventada (quer dizer, até foi, mas ainda não existe Netscape). Pronto, não será uma memória tão comum como o primeiro “virar-o-barco”,mas o certo é que muita gente deixará fugir um brilho nos olhos quando ouve falar neste clássico da altura em que os jogos de PC cabiam numa disquete.

Surgindo da prodigiosa programação de John Romero e John Carmack, membros fundadores da ID Software, Wolfenstein 3D poderá não ser o primeiro First Person Shooter (desde os anos 70, vários títulos obscuros tentaram exibir a perspectiva na primeira pessoa, incluindo própria ID, com “Catacombs 3D” de 1991), mas é com certeza considerado como o pai do género  pelo sucesso acarretado. Aquilo que acabou por se tornar num marco na história dos videojogos começou como uma tentativa de Carmack e Romero transporem para 3D dois dos seus títulos preferidos dos tempos do Apple II, de nome “Castle Wolfenstein” e “Beyond Castle Wolfenstein” de 1981 e 1984 respectivamente.

Estes jogos têm hoje mais em comum com a série Metal Gear que com o  Wolfenstein que todos conhecemos, já que o seu objectivo era roubar planos de guerra de um castelo Nazi sem ser detectado pelo inimigo.  E se no inicio, a ID Software  pretendia com o seu produto copiar estes clássicos, ao verificarem a obra prima de programação que era o motor do jogo, capaz de correr de forma tão suave nos PCs de então, depressa descartaram algumas ideias que desaceleravam o seu ritmo como esconder corpos, roubar uniformes, e tentar passar despercebido , em virtude de um conceito mais simples  mas que se revelava extremamente divertido – matar tudo o que aparecia pela frente.

A história acompanha as missões do agente William “B.J.” Blazkowicz, desde a sua fuga das masmorras do Castelo Wolfenstein, até ao confronto com Hitler. Pelo meio B.J. depara-se com um leque variado de inimigos desde guardas das SS e os   seus pastores alemães a soldados mutantes. A versão original incluía três episódios (de 10 níveis cada) de dificuldade crescente com a possibilidade de serem jogados aleatoriamente. Pouco tempo depois o numero de níveis duplicava,  com o lançamento da expansão “Nocturnal Missions” com três episódios adicionais.

O jogo tirou partido do então popular formato de distribuição de software, shareware, em que uma parte considerável do programa é disponibilizada gratuitamente. Assim, dos três episódios iniciais em que se encontrava dividido o jogo, o primeiro era gratuito. Graças a este processo de divulgação, o jogo tornou-se sucesso imediato, maravilhando usuários de PC em todo o mundo – a perspectiva na primeira pessoa e a animação fluida resultavam numa absorção total do jogador , que se sentia como se estivesse no meio da acção.

O uso de suásticas e símbolos nazis,  ainda que contribuísse para o êxito do jogo por se tratar de algo controverso, acarretou implicações legais, tendo o jogo sido banido na Alemanha. No entanto, esta baixa de vulto nada afectou a expansão da ID, já que o sucesso do jogo permitiu conversões para diversas máquinas. Os Macintosh e as fatídicas Atari Jaguar e 3DO receberam conversões graficamente superiores à versão de PC , com personagens mais detalhados e texturas com o dobro da resolução. No entanto de fora ficou a possibilidade de surpreender um inimigo pelas costas, uma vez que nesta versão do jogo os personagens  se encontram constantemente voltados para o jogador. De destacar também a infame versão da SNES  que devido à política de censura da Nintendo em vigor na época, sofreu severos cortes no produto final.

Assim todas as referencias ao partido nazi foram cortadas ( BJ combatia agora um tal de Staatsmeister), o bigode de Hitler foi removido do Boss final e dos cartazes que proliferavam nas paredes do jogo, o sangue desapareceu e os pastores alemães foram substituidos por ratos gigantes (já que a inclusão dos primeiros poderia resultar numa recriação do jogo lá em casa com o Bobi e a arma do pai). Para culminar a Super Nintendo mostrava dificuldade em lidar com gráficos 3d resultando tal numa baixa taxa de frames e consequentemente numa nauseante experiência de jogo. Reza a lenda que a ID Software ficou tão revoltada com esta versão bastarda , que “emprestou” o motor de jogo sub-repticiamente  a uma companhia de nome Wisdom Tree, especializada em jogos cristãos (e claro, não autorizados pela Nintendo). O resultado foi um clone de Wolfenstein com temática biblica : Super 3D Noah’s Ark.

Wolfenstein teve direito a uma prequela, “Spear of destiny”, construida sobre o jogo original mas com a inclusão de bosses e algumas texturas novas. Uma sequela estava planeada, mas o projecto sofreu mudanças durante o seu desenvolvimento e acabou por se tornar no titulo independente Rise of Triad, de modo a não desviar as atenções da proxima bomba da ID que estava prestes a rebentar CPUs, e intupir linhas telefónicas : Doom. O regresso de B.J. Blaskovitz só se daria assim em 2001 com “Return to Castle Wolfenstein”.

Wolfenstein 3D apesar de já contar contar com 17 anos, continua a entreter muitos fãs de videojogos e alguns nostalgicos adeptos das novas tecnologias. Encontra-se disponivel para download não só para as Xbox 360 e Playstation 3 mas também para o iphone e ipod touch possibilitando o combate aos Nazis a caminho do trabalho ou na fila para levantar o casaco à saída do Pacha de Ofir.  Pode  ainda ser jogado nos nossos computadores recorrendo ao emulador de MS-DOS, Dosbox.

Não há desculpa para não regressar ao Castelo Wolfenstein e salvar o mundo uma vez mais. Boa pontaria !



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