“O Fotógrafo da Madeira” | António Breda Carvalho
Apesar de um final algo apressado, “O Fotógrafo da Madeira” revela-se um curioso retrato de uma época impulsionada pelo espírito inventivo
Em 1846, depois de embarcar no vapor Victoria, o jovem Afonso vira costas à Madeira e a um País mergulhado no absolutismo, rumo a Paris e a uma educação abençoada pelo espírito liberal. Vinte anos mais tarde, Afonso Ayres Drumond regressa à Madeira para gerir o negócio dos pais falecidos – a produção do belo vinho da Madeira – e na qualidade de cônsul francês.
Assumindo a missão cívica de estimular o crescimento económico na ilha, melhorando as condições sociais da população e tentando impedir um fluxo migratório com o ar de “escravatura branca”, Afonso irá ver-se rodeado de um grande número de inimigos, avessos a qualquer ideia de mudança.
A par da polícia acompanhamos as suas paixões pela pintura e pela fotografia, assim como o romance com a filha do feitor que, apesar de pertencer a uma classe inferior, possui uma educação muito liberal; e também o aparecimento de outras mulheres que, seja pelo impulso diplomático ou por revelarem uma personalidade fascinante, cativam Afonso num paralelo a uma relação que arde em câmara lenta.
Apesar de um final algo apressado, “O Fotógrafo da Madeira” revela-se um curioso retrato de uma época impulsionada pelo espírito inventivo e que, em Portugal, foi marcada pelas clivagens entre classes sociais, o papel secundário da mulher, o combate à religião protestante, o pacto entre a Igreja e o Estado, um êxodo massivo de portugueses e uma guerra acesa entre o liberalismo e o absolutismo.
Uma edição Oficina do Livro
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