BAHMEDINAS – 5SOS – 3MAY (18)

5 Seconds Of Summer @ Meo Arena (03.05.2026)

Já vos disseram hoje que os 5SOS são a maior Boyband do mundo? É porque são mesmo.

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Há muito querida e ansiada, a noite de 3 de Maio na MEO ARENA foi o culminar europeu da world tour “EVERYONE’S A STAR!” dos 5SOS.

O cenário que envolvia o exterior da MEO ARENA era como um síndrome vertiginoso. Uma espera que, para alguns (muitos) começara muito cedo. As pessoas vestidas a preceito, usando estrelas por toda a parte (não fosse a tour… “EVERYONE’S A STAR!”). De facto, os fãs como corpos celestes – curiosos, persistentes e um bocado nervosos.

| 5SOS: Arrojados, bem-dispostos, crescidos e bem-parecidos. ‘Em mãos’ com a maior viagem (literal e metafórica) das suas carreiras, mostraram-nos que fruta madura e bem preservada não apodrece, não envelhece, e não desaparece. Dessa maneira, apresentaram-se desdobrados como se estivéssemos a assistir a um concerto-filme, a partir das músicas em movimento – cinematográfico e síncrono. Pipocas à parte, estávamos perante um espectáculo que nos submergiu, como acontece quando se assiste à nossa comédia romântica predilecta. Da boa disposição ergueram bandeira – inteligentes e comunicativos. | 

O PRELÚDIO 

Em ‘jeito-perfeito’, com destreza, Master Peace e South Arcade dão o mote de partida. Fazem da jovialidade o seu navio, ainda com muitos mares por explorar. Fazem da gratidão o seu porto de embarque, são atentos e expressivos. Querem segurar o público – pedem que salte e cante, que cante e salte.

Master Peace

Batem as 19h e Master Peace entra em palco. O artista britânico Peace Okezie abriu a noite como quem vem para ficar. Tendo lançado em 2024 o seu álbum de estreia “How To Make a Master Peace”, entoou canções como LOS NARCOS e LOO SONG. O beat da bateria determinou o andamento de cada canção, numa performance de vinte e cinco minutos que nos animou e fez cócegas nos pés para que nos mexêssemos. Houve ainda tempo para um cover da What Do You Mean?, de Justin Bieber – bem jogado (e cantado).

South Arcade

São 19h50. Uma energia juvenil entra em palco para nos arrebatar. São os South Arcade. Um tanto misteriosos, um tanto despretensiosos. Um tanto disfarçados, um tanto descobertos. Trazem um turbilhão que tem presença, quase alucinógeno. A vocalista Harmony Cavelle foi tomando as rédeas da arena – desde a sua voz em formato de efeito especial até aos pulos estonteantes. Houve ainda tempo para telemóveis erguidos numa coreografia luminosa.

O prelúdio dava-se, assim, por concluído. Seguir-se-ia uma inundação de bem-estar, de alívio e arrepio, de muita emoção.  

O DILÚVIO CONSTRUTIVO 

5 SECONDS OF SUMMER

São quase 21h. Paisagem deslumbrante. É hora dourada – 5SOS (quase) a aparecer, uma constelação a formar-se. Uma intro que surge de um pequeno vídeo; mal sabíamos nós que essa conjugação frenética de imagens seria constante ao longo da noite… e que belo filme! 

Estávamos perante um quadro artístico quase real – alinhamento de cores, simbolismo perfeito, propósito encorajado. Um espaço cénico em círculo, como se do mundo em harmonia se tratasse. Uma limusine no topo dessa linha sem início ou fim – quiçá, o ser artista, o conforto, o “luxo” e o artifício; por ora, o viver da arte, o confronto, o “lixo” e a realidade. 

Surgem capítulos de uma vida recém-nascida, vivida e amadurecida – três dezenas de canções divididas por actos. Ou seja: 

ACT I – THE PEAK

NOT OK, No 1. Obsession, Teeth. O apogeu em três frentes, pintado de cores avermelhadas, aquilo que viria a ser uma longa-metragem vívida e vivida. Há, desde logo, uma explosão de papéis pequenos em formato estelar. 

“Boa noite, Lisboa!” – enquanto envergam uma bandeira de Portugal. Épico – qual Epopeia dos Descobrimentos (qual quê).

O auge que coincide com a aurora dos 5SOS. Nesta noite, contar-se-ia a história da banda – de como quatro amigos se tornaram amigos artistas. Basicamente, um ensinamento maior sobre como a “trindade” é composta por ‘Eles, os Beatles e Jesus’.

ACT II – THE FALL 

Easier, More, istillfeelthesame, No Shame, She’s Kinda Hot, Boyband, Telephone Busy, Evolve. E porque do crescimento surgem intermitências ao acaso e quedas… quem eram e quem são os 5SOS?

“No better place to end the tour!” – dizem, em absoluto.

Creem-se mais preparados, mais profissionais.

Jogam com a (sua) sensatez, criaram um espectáculo perene e impermeável.

Tal sobreiro frondoso.

Brincam com a ideia de serem “mais portugueses” – “how to become a star in Portugal?”  Toda uma aula expositiva.

Todo um arraial festivaleiro, daqueles em que até existe um prémio para a melhor boyband, sabem? Viva os 5SOS!

ACT III – THE YEARNING 

Bad Omens, Ghost of You, I’m Scared I’ll Never Sleep Again. A ânsia por mais…

O público canta sem parar.

Um espectáculo que tornou a excentricidade apetecível.

Da nostalgia ao humor.

E se…e se…

E se a boyband mais famosa do mundo fosse levada à ruína?

Um paradoxo com intenção cómica.

São os 5SOS – vulneráveis e confiantes.

ACT IV – The Breakup 

Luke HemmingsStarting Line

Ashton IrwinHave U Found What Ur Looking For?

Calum HoodDon’t Forget You Love Me

Michael Clifford enough

Quinze anos de carreira nem sempre nivelados. Desníveis que não evitaram meias derrocadas. Por outro lado, da terra fértil surgiram cultivos variados – como quem diz, plantações a solo. E que bem regados foram… se bem que uma quinta se faz em comunhão.

ACT V – The Rise 

Amnesia, Don’t Stop. Esta última veio da vontade da maioria do público, que votou secretamente por entre quatro músicas à escolha. 

Aprender a ser 5SOS de novo.

“Quando se está no topo, é fácil perder a perspectiva.”

Um processo de redescoberta.

ACT VI – The Beginning

English Love Affair, Voodoo Doll, Waste the Night, Jet Black Heart, She Looks So Perfect. 

“To love, to cry, to dance!”

“Fãs de verdade salvam bandas!”

“We’re just getting started…!”

“Love you and thank you!!!”

 

Duas horas de performance que culminaram com Everyone’s a Star! e Youngblood. Aos 5 Seconds of Summer, em palco, juntaram-se Master Peace e South Arcade. Muita alegria, por entre laivos de melancolia. Afinal, as coisas boas deixam-nos sempre à beira de… Um trampolim, num ápice. 

Foi um ‘até já’!



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