“A rapariga-corvo” | Erik Axl Sund

“A rapariga-corvo” | Erik Axl Sund

Policial (negro) a quatro mãos

Se escreverem Erik Axl Sund no Google e encontrarem uma imagem de dois senhores com um ar bastante alternativo, não caiam na tentação de julgar que estão na presença de um novo projecto musical sueco, apesar das influências e formações musicais estarem bem vincadas em qualquer um deles.

Na verdade, Erik Axl Sund é o pseudónimo escolhido da nova dupla-sensação do policial sueco, composta por Jerker Eriksson e Hakan Axlander Sundquist. Hakan é engenheiro de som, músico e artista, enquanto Jerker foi produtor da banda electro-punk de Hakan – iloveyoubaby! -, dedicando-se hoje em dia – e em exclusivo – à escrita.

As faces de Victoria Bergman, trilogia já publicada por inteiro na Suécia, foi recebida com passadeira vermelha, tanto pelo público como pela crítica. As razões para tão boa receptividade poderão já ser conhecidas – e comprovadas – através da leitura de “A rapariga-corvo” (Bertrand Editora, 2014), o primeiro volume que terá continuação, lá mais para a frente da linha temporal, com “Fome de fogo” e “”As instruções da Pitonisa.

Escrito por dois bons rapazes, “A rapariga-corvo” tem como personagens centrais três mulheres cuja vida ficará entrelaçada pela força das circunstâncias. Sofia Zetterkund é uma psicoterapeuta que tem entre mãos dois casos fascinantes: Samuel Bai, um menino-soldado da Serra Leoa, e Victoria Bergman, uma mulher que tenta lidar com um trauma profundo de infância (também ela uma das mulheres centrais da narrativa). Jeanette Khilberg é a investigadora responsável por uma série de homicídios que envolvem crianças, encontradas mortas em locais públicos de Estocolmo. Em comum, além da dificuldade de identificação dos corpos, há apenas o facto de todos eles serem de origem estrangeira.

O livro está carregado de suspense, centrado na ideia de que sofrimento e monstruosidade poderão tornar-se aliados inseparáveis da existência humana, deixando cada uma das personagens a contas com um passado carregado de obscuridade. E, mesmo  quando parece ter atingido o ponto da previsibilidade, “A rapariga-corvo” arranja forma de oferecer um arrepiante twist, provocando no leitor um sentimento de orfandade perante a ausência do segundo tomo da trilogia. Um daqueles livros que toma conta da circulação sanguínea.



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