“Âmbula [: pés, punhos, tórax: manicómio/manicórdio]” de Leonardo

“Âmbula [: pés, punhos, tórax: manicómio/manicórdio]” de Leonardo

Poesia com sabor insular

Natural de S. Miguel, Leonardo, nome singular para alguém que é dono de uma poesia plural, é um dos mais promissores e jovens artífices da arte palavra.

Depois de em 2013 publicar “há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida”, uma coletânea de poemas e prosas curtas, voltou recentemente a brindar-nos com mais um conjunto de textos que decidiu denominar como “Âmbula [: pés, punhos, tórax: manicómio/manicórdio]” (Companhia das Ilhas, 2015), um livro que junta a palavra com alguns imagens, da autoria de Filipe Paiva, ainda que, estas últimas, de presença algo fugaz.

São sete os escritos, três as imagens, mas muitas as ideias. Fala-se de memórias, de sussurros, de pensamentos eruditos, de perdas, livros idiotas, deuses insensíveis, consolas, devaneios proibidos, laivos de paternidade, transgressões, revisitações, naufrágios, nudez.

Há ainda espaço para declarações, ou referências, a Kurt Cobain, aos Radiohead ou Herberto Hélder, heróis de uma adolescência que se prolonga por toda a vida e deixa rastos, ou rastilhos, que diabolizam, ou não, valores como a liberdade.

Esse sentimento, entre outros, tem honra de descrição, de forma fugidia, pois: «a liberdade é demasiado longe; nunca consegui nadar para todo o seu fôlego; e do que lhe bebi; herdei um extenso sal; na boca que vendi ao tempo; cicatrizadamente migratória».

Pequeno em formato, parco em páginas mas amplo em ambição talento e pensamentos entre o colorido e os tons cinza, “Âmbula [: pés, punhos, tórax: manicómio/manicórdio]” desprende-nos de amarras e (e)leva a poesia para lá de um sentimento pueril dando voz a uma geração convicta da noção de arte e dos conflitos entre passado, presente e futuro, para revelar uma nudez que atravessa o espírito, «devora a roupa» e, só depois, «revela rotos, os tecidos do mundo».



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