Entrevista Anna Muylaert

Anna Muylaert

Entrevista exclusiva com a realizadora brasileira que esteve em Portugal a apresentar o seu filme, “A que horas ela volta?”, no Lisbon & Estoril Film Festival

A RDB entrevistou a realizadora do filme “A que horas ela volta?” a brasileira Anna Muylaert, um filme que está a ser reconhecido pela crítica internacional e já foi premiado pelo Festival de Sundance pela interpretação, e recebeu o prémio do público do Festival de Cinema de Berlim.O filme conta com a actriz Regina Casé no papel de uma pernambucana empregada de uma família abastada de S. Paulo que por intermédio da visita da filha Jessica que não vê há anos, vê uma nova luz na sua vida.Estreia a 3 de Dezembro em Portugal.

RDB:O mais intigrante para mim é o personagem de Jessica, a filha de Val, a protagonista.Ela é muito segura de si mas ao mesmo tempo tem um carácter um pouco rígido.

AM:Cada um tem a sua interpretação para este personagem.

Ela é uma lutadora…

Eu acho que ela leva um susto, na minha interpretação,Quando ela vê que a mãe mora na casa dos patrões e ela  não quer ir para lá.

Nota-se que com Jessica há uma preocupação com a questão do ensino público no Brasil.

Esse é o maior problema do Brasil, porque na europa existe um ensino médio para a maioria da população, enquanto no Brasil cinco por 5% do ensino é bom e 95 % por cento é ruim.

O abismo social se perpetua pela falta de educação.

Essa é a grande mensagem do filme…

Acho que sim

Regina Casé é uma boa escolha para protagonista do filme…Seria dificil encontrar uma actriz que se adequasse tão bem ao papel.

Ela é uma actriz única.

Considero o filme muito interessante. Como se pode explicar o facto de ser um filme tão apaixonante?

É uma interpretação também.É um filme muito “cabeça”, é muito crítico. Mas no fim ele é muito coração, ele desce, ele é muito sobre o amor da mãe. A filha Jessica chega questiona tudo aquilo mas a coisa se resolve mesmo, porque toda a gente se identifica com a Val, a mãe de Jessica, porque a mãe diz para a filha que não pode fazer isto, não pode tomar o sorvete do filho dos patrões, não pode ir para a piscina dos patrões, toda a gente se identifica com a mãe, mas no final a própria mãe fica feliz com o facto de esta ter conseguido entrar na Faculdade de Arquitectura.E no final tem aquela cena da Val, ao entrar também ela na piscina e finalmente diz:”Meu Deus eu também existo!” Também, há uma desistência e diz “traga meu neto”, Val é mãe, é mulher e diz “eu quero esse menino no meu colo”,  e é maior do que as regras sociais.

O Brasil tem esperança no futuro?

Acho que a partir das mudanças recentes de Lula, tem esperança.

O filme deixa uma mensagem de esperança, não um optimismo exacerbado mas esperança…

Há 500 anos o Brasil foi colonizado, depois de Portugal ir embora o que o Brasil fez com isso? não evoluiu

Constatei pessoalmente nas ruas da zona Sul do Rio em lugares como Ipanema ainda a babá de branco…

O Brasil nunca mudava, e com essa época mudou, eu nem sou PT…

Mas houve uma viragem…

Exactamente.O Brasil não tem negros em situação de elite.Lula abriu portas, subiu auto-estima, fez quotas obrigatórias para negros, ele mudou um pouco e foi pouco, mas eu estou indo fazendo palestras na Universidade e a Jessica existe.

A cinematografia também é muito bem conseguida, há uma luz fascinante em todo filme.

Tem a ver com a minha fotógrafa do Uruguay, ele é um filme feito em S. Paulo, as actrizes principais a Regina Casé e a patroa são do Rio, muita da equipe é de pernambuco.Ele é um filme brasileiro e até se pode dizer latino Esse filme juntou forças.

Outro aspecto do filme, o Brasil ainda é o país do futuro?

A Europa já entendeu que para se chamar de nação tem que haver educação para a maior parte da população. O Brasil é um bebé, é criança perto da Europa., a concentração de renda é muito grande. Se é do futuro, sim, o Brasil é bebé, é criança perto da Europa, esperemos que o Brasil amadureça e que se melhore as condições globais.



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