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Atlas de Lugares em Extinção: o mundo que o Google Maps não mostra

Travis Elborough leva-nos numa viagem por cidades soterradas, ilhas desaparecidas e paisagens que o tempo quase apagou — agora em edição Quetzal.

Chega às livrarias portuguesas, pela Quetzal, o Atlas de Lugares em Extinção de Travis Elborough, com tradução de Maria José Figueiredo. Vencedor do Prémio de Livro Ilustrado do Ano dos Edward Stanford Travel Writing Awards 2020, o livro é um guia de viagem por lugares que desapareceram dos mapas — ou que estão prestes a desaparecer. De Alexandria a Port Royal, é uma cartografia do que já fomos e do que arriscamos perder.

Um guia de viagem para lugares que já não existem

Há atlas que nos dizem para onde ir. Este diz-nos para onde já não podemos ir — e é precisamente aí que está o seu fascínio. O Atlas de Lugares em Extinção percorre cidades soterradas sob a poeira de terras abandonadas, povoações submersas por rios e mares cuja forma mutável redesenhou a paisagem em seu redor, e territórios riscados dos mapas por catástrofes naturais, guerras ou pela simples erosão do tempo e da demografia.

Elborough não se limita a inventariar ruínas. Com o apoio de belos mapas elaborados em colaboração com cartógrafos e fotografias impressionantes, mostra cada lugar como era antigamente e como se revela hoje — um exercício de contraste que transforma o livro numa reflexão sobre a fragilidade da nossa relação com o mundo e com a história.

De Alexandria à «Cidade Mais Perversa do Mundo»

O roteiro é irresistível. Visitamos Alexandria, um dos berços da humanidade; Palenque, a cidade maia que foi centro de civilização e poder; e Petra, na Jordânia, que John William Burgon descreveu como «uma cidade rosa e vermelha tão velha quanto o tempo». Pelo caminho, mergulhamos no mistério de uma ilha japonesa desaparecida e desembarcamos em Port Royal, na Jamaica — a lendária «Cidade Mais Perversa do Mundo», paraíso pirata engolido pelo mar.

São lugares que, com toda a probabilidade, não encontramos no Google Maps. E é essa a provocação central do livro: numa era em que tudo parece mapeado, fotografado e georreferenciado, Elborough lembra-nos que o planeta continua cheio de ausências, de vazios e de histórias por contar.

Um dos melhores historiadores da cultura pop do Reino Unido

Travis Elborough (1971) foi classificado pelo The Guardian como um dos melhores historiadores da cultura pop da Grã-Bretanha, e o currículo confirma-o: escreveu sobre os discos de vinil (The Long-Player Goodbye), os parques públicos (A Walk in the Park) e até a arte de fabricar óculos (Through the Looking Glasses). Colaborador permanente do Financial Times, da Spectator e do The Guardian, dá aulas de escrita criativa na Universidade de Westminster e é consultor de vários museus ingleses.

A crítica internacional rendeu-se. O Daily Telegraph descreveu o livro como um compêndio raro e invulgar:

«Tem uma qualidade rara e invulgar: é um compêndio delicioso dos lugares mais estranhos do planeta.»

— The Daily Telegraph

«Uma recordação da evanescência terrena — e da urgência de preservar o que podemos do que resta.»

— Nature

Conclusão

Num verão em que os destinos turísticos se repetem em todos os feeds, o Atlas de Lugares em Extinção propõe a viagem contrária: para dentro do tempo, rumo ao que desapareceu. Com 232 páginas e PVP de 17,70€, já está disponível nas livrarias numa edição Quetzal. Para quem não desistiu da curiosidade sobre o mundo, é leitura obrigatória — e um lembrete de que os mapas também morrem.



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