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Bad Religion + Mad Caddies + Less Than Jake @ Sala Tejo (15.05.2019)

Os vários credos do punk rock

Na quente tarde da passada quarta-feira, os peregrinos do punk caminharam até à sala Tejo, no Parque das Nações, para testemunhar a passagem de uma tríade oriunda dos States e que não pisa palcos nacionais todos os dias. Bad Religion, Mad Caddies e Less Than Jake tinham até em comum o facto de há largos anos não actuarem em Portugal.

À hora marcada, os Less Than Jake davam os acordes de saída para ansiada maratona. O vocalista e guitarrista Chris Demakes e o baixista Roger Manganelli não perderam a oportunidade de praticar o seu português por diversas vezes, garantindo uma interação forte com a plateia, ainda que a sala Tejo ainda estivesse muito aquém de encher por esta hora.  Não admirou, portanto, que ao quarto tema, «Look What Happened», já estivesse malta do público em palco para dançar e cantar com a banda, com direito a uma cerveja pela brilhante performance. Ao final de sete canções, em que navegaram pelas águas mais primárias do punk rock, o quinteto da Florida foi embora com a promessa de encurtar o intervalo até à próxima visita.

De uma costa solarenga aqui fomos nós para a costa oposta, mas com clima idêntico. A sala acoplada à Altice Arena deu as boas-vindas aos californianos Mad Caddies, apresentando por esta altura uma moldura humana de maiores dimensões, o que acabou por trazer uma melhoria no som por minorar o eco. O menu de degustação foi bem mais rico que o anterior, fazendo uso dos mais diversos ritmos calientes para valorizar o concerto. Como quem atravessa sem qualquer tipo de problema o backyard dos Sublime, o colectivo encabeçado por Chuck Robertson viaja desde o ska ao rocksteady, não esquecendo de dedicar um abraço à cumbia em «Coyote», ou o reggae na versão dedicada ao clássico «She» dos Green Day. A festa é praticamente uma constante enquanto os Mad Caddies estão no palco, excepção feita ao momento mais amoroso «Drinking for 11», roçando inclusivamente ambientes circenses muito por culpa da sua dupla de metais. «All American BadAss» (dedicada aos amigos Less Than Jake), que encerrou esta prestação, será provavelmente o corolário máximo disto mesmo. Após duas décadas de ausência do nosso território, é lógico concluir que soube a pouco, como o atestou o autêntico cântico de claque que continuou a ser cantando pelo público mesmo depois dos Mad Caddies saírem de cena. Foi óptimo.

Ao fim de duas bandas originárias de terras solarengas, à imagem do dia que pairava por Lisboa na passada quarta-feira, não deixámos de lamentar o facto de não ser possível assistir a um evento destes ao ar livre. Mas o clima também não tem facilitado a vida a quem tenta prevê-lo.

E, com a entrada dos veteranos Bad Religion em palco, passámos do sol luminoso para as catacumbas da sociedade, cantando a plenos pulmões tudo o que há de podre na mesma, mercê dos evangelhos sempre acutilantes que a banda prega. Cedo compreendemos que os cabeças de cartaz são uma máquina avassaladora de debitar êxitos, embora os temas mais recentes tenham ombreado com galhardia, como por exemplo «Sanity» que pertence ao álbum editado recentemente. «Generator» foi, sem margem para dúvidas, o evergreen que soou de forma mais poderosa, seguida de perto por «Punk Rock Song», encontrando-se no pólo contrário «Infected», que nos pareceu sem o nível de emoção que, por norma, regista.

Os Bad Religion ocupam um terreno sónico bem característico, o qual apetece categorizar como hard punk rock. Isto porque estão sempre uns bíceps à frente da sua vizinhança, como o provam ao vivo temas como «Lose Your Head» ou «Los Angeles Is Burning». Esta última contou com uma notável adesão da plateia, que cantou em coro o refrão, sendo apenas rivalizada nesse aspecto por «Sorrow», que chegou apenas durante o encore.

Não sabemos se será devido a «No Control» que os fãs do grupo de Greg Graffin continuam a reproduzir-se, mas foi com contentamento que testemunhámos a presença de diversas crianças por entre o público, sempre devidamente acompanhadas. Gente jovem que, obviamente, nem estava nos mais ousados planos quando os Bad Religion gravaram «Fuck Armageddon…This Is Hell», através do qual rebobinaram o tempo até ao seu disco debutante.

Tal como em «Atomic Garden», todo este público (e outro tanto) sentirá que é dia de Natal novamente quando os Bad Religion regressarem para oferecer um novo cabaz de canções.


Alinhamento

– Them and Us
– Chaos from Within
– Generator
– Stranger Than Fiction
– The Dichotomy
– Recipe for Hate
– Fuck You
– Flat Earth Society
– Automatic Man
– New Dark Ages
– Supersonic
– Social Suicide
– My Sanity
– Suffer
– Anesthesia
– Overture
– Sinister Rouge
– Lose Your Head
– Atomic Garden
– Los Angeles Is Burning
– I Want to Conquer the World
– 21st Century (Digital Boy)
– No Control
– Struck a Nerve
– Do the Paranoid Style
– Fuck Armageddon… This Is Hell
– Infected
– Punk Rock Song

(encore)

– Sorrow
– You
– American Jesus



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