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Barroselas Metalfest 2012

O mítico festival metaleiro, que se mantém de pé após quinze anos de existência, decorreu de 26 a 30 de Abril. A edição de 2012 não desiludiu e SWR apresentou um cartaz de luxo com bandas lendárias do metal

O Barroselas Metalfest tem tido uma evolução bastante positiva, com uma organização progressivamente mais coesa, tornando-se assim cada vez mais o grande festival de metal underground em solo nacional.

O recinto dividiu-se em três palcos – Stage 1, Stage 2 e ainda o palco SWR Arena, que proporcionava cinco bandas por dia a custo zero. Uma boa forma de levar festivaleiros, e até a população de Barroselas, a ter acesso ao festival.

Dia 1

O primeiro dia foi marcado pela final da “Metal Battle”, que oferece ao vencedor a oportunidade de ir a um dos maiores festivais europeus de heavy metal, o Wacken Open Air.

Participaram os W.A.K.O., Face Of A Virus, Utopium e os vencedores Midnight Priest. A banda enquadra-se num heavy metal tradicional inspirado em “magia negra, ocultismo e mulheres”.

Dia 2

O segundo dia começou com um concerto de death metal arrastadão: Coffins. Uma boa actuação e som, numa altura em que o público estava a aumentar e a animação a começar.

Os Gorod centraram-se nos dois últimos álbuns. Foi um concerto intenso, apesar da curta duração.

Os Candlemass são uma das grandes influências do que é o doom nos dias de hoje. O início teve algumas complicações a nível de som, mas resolveram-se rapidamente. Apresentaram um tema do novo álbum – “Dancing in the Temple (Of the Mad Queen Bree)”- e revisitaram muitos hinos do passado mais distante, como «The Gallows End» e «Solitude» – este último cantado em uníssono com o público. Também apresentaram «Dark are the veils of the death» e outras boas malhas mais recentes («If I ever die», «Hammer of Doom» e «Emperor of the void». Os Candlemass provaram que estão em excelente forma.

Finalmente, os Malignant Tumour – perfeitos para uma boa festança. Havia uma grande curiosidade desde que vi vídeos da banda no festival checo Obscene Extreme e foi, sem dúvida, um dos melhores concertos do evento. O público ficou frenético, entre saltinhos, mosh, invasão de palco e stage diving. O som dos Malignant Tumour era destrutivo e não deixou ninguém indiferente.

Dia 3

No terceiro dia assistiu-se a uma grande performance de Martin Van Drunen e dos restantes membros dos Hail Of Bullets. Death metal old school que tinha que fazer parte do elenco do SWR. Foi um concerto intensivo de 40 minutos. A setlist revisitou os dois álbuns da banda em doses iguais, destacando-se temas como «Full Scale War», «Guadalcanal», «Tokyo Napalm Holocaust», «Kamikaze», «Operation Z», «Red Wolves of Stalin» e, a fechar, «Ordered Eastward».
Omission – Blackened thrash metal. Foi notável a entrega por parte da banda e a energia transmitida com teatralidade.

Mas o grande momento do dia pertenceu aos Immortal – claramente um dos concertos mais aguardados de todo o festival. Tiveram um som irrepreensível e uma actuação memorável. Explosões de fogo, maquilhagem a rigor e 90 minutos de puro black metal. Estiveram, realmente, no topo do cartaz desta edição. Iniciaram com a «All Shall Fall», seguindo-se a «Sons of Northern Darkness». O público ficou rendido com o desfilar de grandes músicas, tanto mais recentes como as mais antigas. Muito bom concerto!

Dragged Into Sunlight, em contraste, e apesar de toda a encenação, foi apenas um concerto para entreter. Os franceses Blacklodge fecharam o dia.

Dia 4

The Firstborn tiveram uma excelente prestação no penúltimo dia do festival – tudo estava em sintonia, tanto a actuação da banda como o som.

No palco 2, Process of Guilt cativaram e deixaram vontade de conhecer mais do seu trabalho.

Finalmente Asphyx, estreia em Portugal, estiveram ao nível das expectativas. O vocalista Martin é um senhor e a restante banda não lhe fica atrás. «We doom you to death», «Last one on Earth» e «Wasteland of terror» foram algumas das malhas que compuseram a setlist. Excelente concerto do death metal!

Warhammer (total maniacs) foram uma escolha perfeita.

O som dos espanhóis Legacy of Brutality não traz nada de original mas demonstraram que o que fazem, fazem bem. Óptima postura em palco e uma boa forma de encerrar o dia.

Dia 5

O concerto dos EAK teve alguns problemas técnicos; para além disso, foi um concerto que não puxou pelo público.

Os Corpus Christii, pelo outro lado, estiveram bem. Comandados pelo carismático N.H., mostraram porque são um dos grandes nomes do metal nacional.

Deu para satisfazer a curiosidade de ver Cerebral Bore e, claro, Simone Pluijmers, uma vocalista “de se tirar o chapéu”.

Angel Witch demonstraram sonoridades mais tradicionais que encaixam na perfeição no SWR. Num dos concertos do dia, o Sr. Kevin Heybourne presenteou o público com grandes solos, levando-os a entoar os refrões.

Finalmente, a oportunidade de ver Hypocrisy. Corresponderam por inteiro às expectativas depositadas pelos fãs. Uma setlist fabulosa; mesmo com uma discografia extensa, era difícil pedir melhor. Como Peter Tatgren tinha referido, tocaram praticamente todas as músicas do DVD “Hell over Sofia”. Misturaram com mestria temas mais rápidos, que incendiaram por completo o SWR, com outros temas mais atmosféricos – «Apocalypse», «The Final Chapter», «Fractured Millenium» – e terminaram com a incontornável «Roswell 47».

Holocausto Canibal foi uma boa opção para encerrar as actuações no palco 2.

O concerto de encerramento da edição XV coube aos Whiplash, que fecharam com classe. O Tony Portaro é genial na sua presença e atitude.

A organização dispôs campismo gratuito, junto ao recinto, numa zona florestal, com todas as condições necessárias e principalmente um ambiente descontraído marcado também pela própria vila de Barroselas e pelas condições atmosféricas. O Barroselas é um incontornável marco no panorama festivaleiro português e, neste momento, é inegável o patamar que atingiu no universo metálico nacional.

Fotografia por Lurdes Monteiro. Galeria fotográfica aqui.



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