Biocentrism: How Life and Consciousness are the Keys to Understanding the True Nature of the Universe

“Biocentrism” | Robert Lanza & Bob Berman

Uma só existência pode habitar dois locais ao mesmo tempo

“Se as portas da percepção fossem purificadas, tudo apareceria ao homem como realmente é: infinito.” – William Blake

A premissa geral do Biocentrismo, mesmo para um leigo em ciência que passe os olhos por “Biocentrism: How Life and Consciousness are the Keys to Understanding the True Nature of the Universe” (Benbella Books), parece ser esta: a de que a consciência criou o universo e não o oposto. Basicamente, isto é o equivalente a dizer que tudo o que tomamos como certo está errado, mas qual é a novidade?

Bob Berman, o astrónomo mais lido no mundo e Robert Lanza, um biólogo e investigador na área da medicina regenerativa pretendem, baseando-se na biologia, criar uma Teoria De Todas As Coisas. Essencialmente – e embora suportado por ensaios de física quântica cujas conclusões serão complicadas aqui replicar -, a ideia mais terra-a-terra sugerida é a de que tudo existe devido à nossa consciência. Certamente já ouviram o velho koan “se uma árvore cai na floresta e não estiver ninguém por perto para a ouvir, ela faz som?”? Esse é o conceito. E aqui chega a parte realmente psicadélica. De acordo com Lanza, quando saímos de casa esta deixa de existir, pois a nossa consciência não está presente para a projectar. Porquê? Porque o tempo e o espaço não existem na forma linear que os concebemos, ou seja, nada é definitivo, porque o que existe nada mais é do que todas as possibilidades simultaneamente, cada coisa e também o seu contrário.

Assim, existem várias versões de cada um de nós, paralelamente, em várias realidades alternativas. Esta teoria é comprovada através da experiência “double slit”: quando uma partícula é observada, ela age como uma onda; no entanto, quando não “sabe” que está a ser observada, age como partícula e onda ao mesmo tempo. Isto, pelo menos teoricamente, significa que uma só existência pode habitar dois locais ao mesmo tempo, ou seja, contraria a linearidade do espaço-tempo.

Da mesma forma que o tempo e o espaço não existem efectivamente, de acordo com a percepção humana, também a morte não existe dessa forma, pelo menos não a da consciência, pois uma vez extinto o corpo esta retorna ao universo. É tudo extremamente freak, mas vale pelo menos a pena aprofundar, já que é mais credível do que a típica cigana a ler a palma da mão.

O livro, além de explanar as regras básicas da teoria do Biocentrismo – que mesmo alguém sem sólidas bases científicas consegue compreender -, também se aventura perigosamente em alguns momentos pelo terreno da auto-ajuda, o que mina, de certo modo, a sua seriedade. Igualmente prejudicial pode ser a overdose de verborreia geek, que habita também as suas páginas. Não obstante, são ideias que merecem, no mínimo, ser reconhecidas pelo público em geral, mas infelizmente até à data não está prevista uma edição portuguesa.



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