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Blasfemea

Mulheres e cidades em torno de uma "Galaxia Tropicalia".

Os Blasfemea são Tiago Amaro (voz, guitarra e teclas), Fábio Jevelim (voz e guitarra), David Pessoa (baixo) e Rui Lourenço (bateria). Em finais do ano que passou lançaram “BLSFM”- primeiro EP do colectivo que contou com a produção de Rui Maia (X-Wife). Regressam um ano depois com o recém-estreado  “Galaxia Tropicalia”.

Se no EP de 2008  se notava o repassar  das ressonâncias axiais citadinas dos dias de hoje, numa espécie de simbiose pop rock e electro punk, em “Galaxia Tropicalia “há como que a continuidade da alquimia pré-estabelecida entre as vivências e cultura urbanas, já sentidas no EP; porém, com ecos sob um universo mais restrito, delimitador da expansão criativa – a que todos se impuseram – e que assenta em pop de pulsões tropicais.

A RDB conversou com Tiago Amaro acerca do presente álbum. Falaram-se de influências e curiosidades – como a dos dez títulos das faixas, todos com nome de mulheres – que compõem o disco, na aceitação do público e tentativa ou possibilidade de levarem o sopro e inspiração além-fronteiras.

Tiago explica essa necessidade de orientação de caminho prévio para “Galaxia Tropicalia” e fala das influências e diferenças deste, ainda curto, percurso de Blasfemea. “Musicalmente existem muitas diferenças, que penso surgirem pela maior abertura que temos em relação à música e que acaba por resultar numa miscelânia de referências que se vão intrometendo quando compomos as músicas. Para nós é sempre uma incógnita o tipo de som que surgirá no final da gravação. Foi, também, por isso que escolhemos, neste álbum, trabalhar com um conceito que nos limitasse a criatividade e decidimos que todas as músicas iriam ter nomes de mulher, todas teriam histórias passadas em diferentes cidades e o disco chamar-se-ia “Galaxia Tropicalia””.

É um facto incontornável o de que hoje a maioria das bandas vão podendo, através de sites pessoais e/ou myspace ter a noção da aceitação e reciprocidade do “seu” público. Tiago mostra satisfação e expectativas, a médio prazo, elevadas. “No nosso site e nos espectáculos o feedback tem sido sempre bom, até porque, felizmente, não há muita gente a perder tempo com ódios. As minhas expectativas são grandes, porque acredito que quando se fazem as coisas com honestidade e amor acaba-se, mais cedo ou mais tarde, por conseguir alcançar os objectivos. Bem, no circuito nacional não tem sido tão fácil como esperava, porque não temos uma editora por trás com peso nas rádios, imprensa e em toda a indústria. Acho que ainda nos olham com alguma desconfiança, mas acredito que com o tempo vamos lá”.

“Galaxia Tropicalia” foi gravado no Black Sheep Studios com a colaboração de Makoto Yagyu, o tema «Ida» tem uma parceria especial com Dead Kids. Tiago explica. “Essa parceria com os Dead Kids surgiu sem ser planeada. Nós abrimos um concerto deles no Musicbox e no dia a seguir ao concerto tínhamos de estar no estúdio para continuar as gravações e os Dead Kids estavam na praia. O Makoto conseguiu arrancá-los da praia para o estúdio, eles ouviram o que já estava gravado e aceitaram fazer uma participação. Foi um prazer trabalhar com esta banda que já goza de boa reputação em Inglaterra. São músicos que admiramos, se isso nos ajudar numa internacionalização, óptimo. Esse é, também, o nosso intuito e uma das razões porque cantamos em Inglês.”

Blasfemea reflecte histórias expressivas, dinâmicas, de sonhos e frustrações, de tensões apaixonadas e repousos imaginários. “Nós ouvimos todo o tipo de música. Uma coisa muito importante é que não nos envergonhamos de dizer que gostamos de Bob Dylan, Britney Spears, Dr Alban e Shostakovic. Encaramos a música pela música e não pelas tribos. Isso faz com que as nossas influências sejam infinitas, talvez por isso nos tenhamos limitado neste álbum ao conceito “Galaxia Tropicalia”, mulheres e cidades. Ainda assim, temos de esconder uma música no final do disco, por não ter muito a ver com o conceito que quisemos aproveitar”, refere Tiago. Reforçando, ainda, que “as nossas influências não são pensadas. Vêm de todo o lado, de tudo o que nos toca. Quando compomos uma música ou estamos em estúdio as coisas saem naturalmente. É provável que se note que gostamos de ler Dostoievsky, ouvir Beatles, ver filmes de Michel Gondry que já nos partiram o coração, que já partimos corações… Enfim. Tudo e mais uma coisa.”

Depois da festa de “Galaxia Tropicalia” no Passos Manuel, do Porto, os curiosos em assistir ao vivo ao recém-trabalho de Blasfemea podem espreitar o myspace da banda, com datas actualizadas disponíveis.



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