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Cass McCombs @ ZDB

Calor, suor e Rock N’ Roll (mas não muito).

Há poucas semanas, a Galeria Zé dos Bois (ZdB) denunciou, em comunicado no Ípsilon, o suplemento cultural do jornal Público, que “ainda não recebeu uma única parcela do montante que lhe foi adjudicado para o presente ano, tendo sido obrigada a recorrer ao crédito e a prescindir de colaboradores essenciais”. É de louvar que a programação da ZdB, independentemente de todos os problemas por que instituição passa, devido aos cortes de apoio do estado, continue a ser tão interessante quanto ambiciosa. A ver vamos o que se segue nos próximos meses, sabendo que a situação não é fácil.

Desta feita, o concerto de Cass Mccombs do passado dia 19 de Maio dificilmente poderia ter corrido melhor, do ponto de vista do retorno financeiro: esgotado.

Acompanhado de uma banda – que revela um baixista que poderia ser um membro perdido dos ZZ Top – Cass Mccombs, personagem cativante e misteriosa, entra de boné e cabelo apanhado para começar com a fabulosa canção de abertura de “Wit’s End”, «County Line», canção em que discorre sobre o mais antigo dos temas, a dor de corno. As canções do mais recente disco, esse “Wit’s End”, o álbum que vem à ZdB apresentar, são canções longas, com mais de cinco minutos, mas são canções acessíveis e fáceis de adorar.
John Peel dizia que Mccombs era “discretamente brilhante”. Temos que concordar, o músico californiano não deixa que se saiba muito sobre si e raramente dá entrevistas. É um tipo recatado, mas afável. Nas horas livres é, como referiu John Peel, brilhante. “Maybe I’m Wrong / Maybe I’m Working for the Day”, desabafa na fantástica «Burried Alive» – e assim Mccombs resume toda a sua existência de forma subtil.

As canções são quase todas downtempo e descrevem ambientes melancólicos. No momento mais singular do espectáculo, as guitarras distorcem e somos presenteados com um grande riff que as Dum Dum Girls não recusariam. É rock n’ roll, mas não muito, que este tipo que, fala pela banda que o acompanha, não ingere álcool e (desconfiamos) renega as drogas.

Naquele que foi o maior problema da noite na ZdB, o calor, o norte-americano teve o condão de transformá-lo num momento mágico. Ao longo da actuação foi-se queixando do “muito calor”, pediu o “ar condicionado”, apelou à abertura das janelas e, por fim, já na última canção, em desespero, pediu que desligassem as luzes. “Desliguem tudo, temos as luzes de lá de fora”. E assim foi, um momento mágico que muitos recordarão por muito e muitos anos.



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