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CGI Abre em Portugal o Primeiro Centro de Excelência em IA

A consultora canadiana vai lançar em maio um centro dedicado a inteligência artificial generativa e agentes autónomos, com mais de 700 colaboradores e planos de contratar 100 especialistas por ano.

A consultora tecnológica canadiana CGI anunciou esta semana a abertura em Portugal do seu primeiro Centro de Excelência em Inteligência Artificial na Europa, com arranque previsto para início de maio de 2026. O centro terá mais de 700 colaboradores já integrados nas operações portuguesas da empresa e ficará focado em inteligência artificial generativa e agentes autónomos, com o objetivo de acelerar a transformação digital dos clientes da CGI em mercados como a Finlândia, a Dinamarca, a Suécia, a Alemanha, os Países Baixos e o Reino Unido. A aposta reforça a posição crescente de Portugal como polo preferencial para o investimento tecnológico internacional.

O que vai fazer o Centro de Excelência em IA da CGI em Portugal

O novo centro não nasce do zero. A CGI já possui uma presença consolidada em Portugal, e os mais de 700 colaboradores que integrarão o Centro de Excelência fazem parte da estrutura existente da empresa no país. O que muda é a missão estratégica deste grupo: a partir de maio, o seu foco principal passará a ser o desenvolvimento e a implementação de soluções baseadas em inteligência artificial generativa e em agentes autónomos — programas de IA capazes de executar tarefas complexas de forma independente, tomando decisões em tempo real sem intervenção humana constante.

De acordo com a empresa, o centro terá como objetivo principal “permitir que os clientes avancem na transformação digital e alcancem resultados de negócio mensuráveis”. Na prática, isso significa que as equipas portuguesas serão responsáveis por conceber, desenvolver e implementar sistemas de IA para empresas e organizações públicas em toda a Europa, funcionando como um motor técnico transversal às operações do grupo no continente.

O centro de excelência em inteligência artificial Portugal da CGI servirá também clientes nacionais, consolidando o papel de Portugal não apenas como plataforma de exportação de serviços tecnológicos, mas como mercado onde as soluções mais avançadas são igualmente aplicadas.

Porque é que a CGI escolheu Portugal para este investimento em inteligência artificial

A escolha de Portugal para acolher o primeiro centro de excelência em IA da CGI na Europa não é aleatória. Portugal tem vindo a consolidar-se como um dos destinos mais atrativos para empresas tecnológicas internacionais que procuram expandir as suas operações no continente. O país combina um ecossistema de talento técnico qualificado — com uma forte tradição académica em engenharia informática, matemática e ciência de dados — com custos operacionais competitivos face a outras capitais europeias e uma localização geográfica estratégica entre os fusos horários norte-americano e europeu.

A estes fatores junta-se uma aposta crescente do Governo português em posicionar o país como hub de inovação tecnológica. A Agenda Nacional para a Inteligência Artificial, integrada no Plano de Ação 2026–2027 da Estratégia Digital Nacional, prevê um investimento de 25 milhões de euros na adoção de IA na Administração Pública e medidas para agilizar vistos para especialistas internacionais em tecnologia. Este enquadramento político favorável tem pesado nas decisões de localização de multinacionais.

Portugal posiciona-se ainda entre os países europeus com maior taxa de adoção de ferramentas de IA pelos consumidores, com 27% dos portugueses a utilizá-las regularmente — um crescimento de 11 pontos percentuais face a 2025. Este dado revela um mercado doméstico recetivo à inovação, o que torna o país ainda mais atrativo para empresas que pretendem testar e escalar soluções antes de as exportar para outros mercados.

Cem contratações por ano: o impacto no mercado de trabalho tecnológico

Um dos aspetos mais concretos do anúncio da CGI é o plano de recrutamento: a empresa prevê contratar 100 novos especialistas por ano em Portugal, no âmbito das atividades do centro de excelência. Num setor onde a escassez de talento é uma das principais preocupações das empresas, este compromisso representa um sinal positivo para profissionais que trabalham ou pretendem trabalhar em inteligência artificial, aprendizagem automática, engenharia de dados e áreas afins.

As contratações deverão incidir sobretudo em perfis com experiência em modelos de linguagem de grande escala, desenvolvimento de agentes de IA, arquitetura de sistemas distribuídos e integração de soluções de IA em ambientes empresariais. A CGI não divulgou ainda detalhes sobre os requisitos específicos, mas a orientação para IA generativa e agentes autónomos sugere uma procura por profissionais com formação avançada e experiência prática nestas tecnologias emergentes.

O impacto vai além dos 100 postos diretos anuais. A presença de um centro de excelência desta dimensão tende a criar um efeito multiplicador no ecossistema local, atraindo fornecedores, parceiros e startups que orbitam em torno das necessidades e oportunidades geradas por uma operação de grande escala.

Parceria com a academia: universidades e centros de investigação portugueses

A CGI anunciou também o reforço da colaboração com a comunidade académica portuguesa como parte integrante da estratégia do centro de excelência. A empresa não especificou quais as universidades ou instituições parceiras, mas o compromisso com o desenvolvimento de talento qualificado e a promoção da inovação em IA sugere que estarão envolvidas instituições de referência como o Instituto Superior Técnico, a Universidade do Porto, a Universidade Nova de Lisboa ou o INESC-TEC, entre outras.

Esta articulação entre o setor privado e a academia é cada vez mais frequente em Portugal e tem-se revelado um fator de diferenciação competitiva. As parcerias permitem às empresas aceder a investigação de ponta antes que esta chegue ao mercado, enquanto as universidades beneficiam de casos de uso reais e de financiamento privado para projetos de I&D. Para os estudantes, representam portas de entrada mais diretas para o mercado de trabalho nas áreas mais exigentes da tecnologia.

Portugal como hub europeu de IA: um padrão que se repete em 2026

O anúncio da CGI não surge de forma isolada. Nos últimos meses, Portugal tem acumulado um conjunto expressivo de apostas internacionais no setor da inteligência artificial que delineiam um padrão claro. Em abril, a sul-coreana Furiosa AI — especializada em chips de IA de alta eficiência energética como alternativa às GPUs da Nvidia — escolheu Lisboa para instalar a sua sede europeia, liderada pelo investigador português Nuno Lopes do Instituto Superior Técnico. A Amazon AWS apresentou igualmente novas soluções de cloud soberana para o mercado português, e o Governo comprometeu-se a disponibilizar 25 milhões de euros para a adoção de IA na Administração Pública até ao final do ano.

Este conjunto de movimentos sugere que Portugal está a conseguir converter as suas vantagens estruturais — talento técnico, qualidade de vida, custo de vida ainda competitivo e enquadramento político favorável — em investimento real e rastreável. O desafio para os próximos anos será garantir que o país consegue escalar rapidamente a produção de talento qualificado para corresponder à crescente procura, sem depender excessivamente de profissionais estrangeiros para preencher as lacunas.

Com o centro da CGI operacional em maio, Portugal entra no segundo trimestre de 2026 com uma proposta cada vez mais sólida no mapa europeu da inteligência artificial — não apenas como destino de nearshoring, mas como local onde a investigação, o desenvolvimento e a implementação de IA de ponta acontecem de facto. A consolidação deste estatuto dependerá da capacidade de Portugal continuar a atrair investimento, mas também de garantir que os benefícios se distribuem de forma ampla pela economia nacional. Centros de excelência como o da CGI são um passo concreto nessa direção — e um sinal de que o caminho está, pelo menos por agora, a ser percorrido na direção certa.



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