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Cinema Nun’Álvares

Depois de 4 anos fechado por falta de público e dívidas acumuladas, o Cinema Nun’Álvares volta a abrir as portas pelas mãos da Malayka Cinemas, que, nas palavras do seu responsável, pretende voltar a fazer deste espaço “um cinema de bairro, com filmes comerciais e independentes, onde as pessoas vêem em família”.

Não fica longe da Avenida da Boavista – zona comercial e residencial por excelência na cidade do Porto. Mas o mesmo vírus que matou o comércio tradicional acabou por atacar também as emblemáticas salas de cinema da Invicta e o espaço com nome de santo condestável.

Inaugurado em 1949, o Cinema Nun’Álvares acabou por fechar as portas em 2006, por ausência de público e acumulação de dívidas, juntando-se assim a uma já longa lista. Tal como alguns dos defuntos que, como por milagre, vão regressando à vida, embora reencarnados de bares e salas de espectáculos, também o Nun’Álvares reabriu as suas portas no passado mês de Dezembro. Insistente na sua função, para continuar a mostrar as últimas maravilhas da Sétima Arte.

A Malayka Cinemas, pela mão de Elias Macovela, foi a responsável pela segunda vida do cinema da Rua Guerra Junqueiro e nós fomos ao cinema tentar perceber como está a correr a reanimação e que esperam os responsáveis desta iniciativa.

CINEMA COMERCIAL E INDEPENDENTE

Apaixonado pelo cinema independente e que circula fora do circuito comercial, Elias Macovela reabriu o cinema Nun’Álvares e espera que “amanhã seja um cinema de bairro, onde as pessoas vêem em família, procurando um filme comercial ou não, mas num espaço mais calmo” que os grandes espaços comerciais.Sublinhando que pretende viabilizar o projecto e “o cinema comercial é que paga as contas”, o nosso entrevistado garante que tudo fará para ter “uma ou duas sessões diárias de cinema independente”.Como este projecto obrigou a um investimento inicial de 150 mil euros e conta com uma despesa mensal de 5 mil, é natural que Elias Macovela queira assegurar que o seu “cinema de bairro” não fecha de novo as portas amanhã. Até porque “o risco é total. Não há subsídios nenhuns”.

EXTENSÕES E WORKSHOPS

Além da vontade de dar espaço e oportunidade a distribuidoras pequenas, como são o caso da Alambique e Midas, faz parte dos planos de Elias participar em festivais de cinema: “Gostávamos de ter uma extensão do Indie Lisboa ou do Festival do Cinema Francês”.Sendo o Fantasporto o maior evento cinematográfico da cidade, apontei-o como possibilidade. Mas para Elias Macovela, os responsáveis do festival de cinema fantástico não estão interessados em sair do Rivoli para outros pontos da cidade.E assim, para continuar a dinamizar o espaço, a direcção do Nun’Álvares aposta, para já, em workshops de cinema, continuando a procura incessantemente por parceiras.

PLANO B

A primeira aliança está feita e longe de ser uma alternativa de desenrasque como qualquer plano secundário, está a resultar.Situado na baixa do Porto, mais a oriente para quem está no cinema, o bar “Plano B” aliou-se ao Cinema Nun’Álvares e promoveram a festa da estreia da Alice realizada por Tim Burton. É juntamente com este bar que Elias Macovela trabalha para conseguir uma extensão do festival indie lisboeta. “O Porto tem muita dinâmica, este é um cinema que as pessoas que cá passam apelidam de “o nosso cinema”. Acho que, aliando isto à distribuição de cinema independente, à ligação com festivais de cinema e mais alguns melhoramentos a fazer como seja mudar a instalação luminosa do espaço, podem fazer do Nun’Álvares um projecto seguro”, sublinhou o responsável.

LOTAÇÃO ESGOTADA

O espaço mantém-se inalterado e os tons de azul e verde acompanham-nos desde que deixamos a bilheteira e acedemos à zona do bar. Nota-se que os anos passaram por aqui. Mas essa é também uma marca que tem trazido público. “As pessoas ficam satisfeitas por ver isto aberto de novo. Falam connosco e relembram quando cá vinham há alguns anos. E é isso que eu espero que continuem a fazer – a vir e a trazer os filhos”. É desta forma que os responsáveis esperam que os 192 lugares se encham a cada nova estreia. Desde Dezembro, duas ficaram na curta memória do renovado cinema – “Avatar” e “Alice”. Outros filmes passaram e passam pela sala do Nun’Álvares, mas segundo Elias Macovela, “estes dois contaram com um cuidado especial”, levando a lotação esgotada, o que para uma pessoa que passou pelo teatro, o leva a algumas lembranças – “sala cheia é adrenalina extra”.

NUN’ÁLVARES EM 3D

A Malayka Cinemas pretende restaurar a máquina de projecção existente no espaço, mas por agora é uma moderníssima máquina, com capacidades de 3D, a responsável pela qualidade cinematográfica.Elias Macovela chama ainda a atenção para o facto de “ao contrário da maioria dos cinemas que exibem películas em 3D, em que o sistema de activação está na tela, levando a que o visionamento seja deficiente se o espectador não estiver sentado nos assentos centrais da sala”, no Cinema Nun’Álvares são os próprios óculos 3D a fazer essa activação”, logo “em qualquer ponto da sala se pode assistir ao filme em perfeitas condições”.

A VISITAR

Com 2 a 3 filmes por semana, repartidos por 5 sessões diárias, os bilhetes vão dos 5,50 euros (normal) aos 7 euros (3D). O facto do bar não ter pipocas e refrigerantes é uma benção para muitos cinéfilos da cidade do Porto.



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