“Como desenhar Mulheres, Motas e Cavalos” | Nuno Markl

“Como desenhar Mulheres, Motas e Cavalos” | Nuno Markl

Espectáculo de stand-up comedy para ler sentado

Não admira que Nuno Markl tenha tido, como confessa na introdução, muita gente à perna com o título que se lembrou de inventar para «um espectáculo de teatro com uma pessoa a desenhar enquanto outra canta.»

Como desenhar Mulheres, Motas e Cavalos” (Divina Comédia, 2013), que depois da aventura pelos palcos chega agora a livro, foi confundido por alguns como um livro ilustrado sobre mulheres mortas e cavalos ou, de um ponto de vista mais carnal, como uma imensa ode pornográfica a favor de tudo aquilo que se pode montar, fazendo de Markl «o primeiro humorista involuntariamente porco da história.»

Num registo humorístico onde, como tem habituado os leitores, oferece uma visão das suas vivências e experiências pessoais, Nuno Markl presenteia-nos com um festim de gargalhadas e ilustrações, num livro onde as palavras lidas ecoam nos ouvidos como se estivéssemos sentados a assistir a um espectáculo de stand-up comedy.

Faz-se uma revisitação ao passado, fala-se do amor como a Disney, recorda-se o início da sexualidade com os primeiros pénis desenhados nos quadros da escola, partilha-se o grande mistério do clitóris e do ponto G, encontra-se um paralelismo entre Deus e Marx, pede-se que as bicicletas possam vir com três rodas e, cereja em cima do bolo, faz-se uma pequena reflexão sobre o design moderno, capaz de vazar uma vista se o cuidado for pouco.

Para o final está reservada uma colectânea de poemas de Miguel Araújo, o homem que fez a banda sonora ideal para se andar de mota. Ou passear a cavalo. Ou fazer amor louco com uma mulher jeitosa enquanto se soltam gargalhadas capazes de fazer com que a vizinha do lado venha bater à porta.



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This