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Cortex 2013 – Sessão de Abertura

Mostra retrospectiva de João César Monteiro

A sessão de abertura da 4ª Edição deste festival foi marcada por uma sala muito composta, “com algumas caras conhecidas do festival e já assíduas de edições anteriores”. Foi com alegria que um dos diretores do projeto, Michel Simeão , agradeceu todos os apoios, apresentou o júri e deu como aberta a sessão, desejando que “em formatos pequenos se contém histórias muito grandes”.

No ano em que se celebram 10 anos da morte de João César Monteiro, pareceu pertinente e necessário organizar uma mostra das curtas do realizador, o que nunca antes tinha sido feito. Este foi um empreendimento de grande trabalho e investigação, sobretudo pelas condições de arquivo das películas e de alguma degradação das mesmas. Isabel Strindberg foi a responsável por organizar esta mostra e convidou ainda algumas personalidades que ainda hoje são inspiradas pela obra de João César Monteiro.

É de destacar a representante de uma editora francesa, que está a organizar a par com a cinemateca francesa uma colectânea dos textos críticos do realizador, bem como uma mostra dos seus filmes.

Além disso a presença curiosa de uma estudante italiana, cuja tese de doutoramento (entregue no dia anterior) se foca na obra de João César Monteiro. Durante as suas pesquisas foi ainda responsável pela criação de uma plataforma de partilha de artigos sobre o realizador para que este possa ser acessível em todo o mundo.

Tivemos o prazer de ouvir também Emanuel Cameira curador e comissário da exposição vigente em 2010 no Convento dos Cardaes: “É assim, não assado” sobre o imaginário de JCM com a colaboração de vários artistas plásticos.

De distinguir também admiração de dois cineastas que se dizem inspirados por JCM, cujo trabalho consideram ter posto em causa muitos dogmas e tradições, sempre com um toque de humor e inteligência.

A mostra retrospectiva das curtas de JCM foi uma verdadeira viagem a um universo próprio com um discurso único, repleto de dicotomias, memórias populares, valores humanos e de um país postos à prova, num tom provocador, temperado de um “non-sense” próprio do realizador. As histórias fragmentadas põem em causa as relações de proximidade, o próprio cinema, a sabedoria popular, a poesia e o regime.

Nas palavras de Vítor Silva Tavares, antigo editor dos guiões do realizado: “ João César Monteiro é alguém que bisturiza sem anestesia um drama existencial e que faz sair daí um canto poético de liberdade”.

O Córtex continua até dia 13 de Outubro, sendo possível hoje e amanhã assistir às 17 curtas-metragens nacionais que entram na competição e estarão em exibição nestes dois dias.

 



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