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“Dança da Morte”

Miguel Guilherme e Isabel Abreu voltam a juntar-se em palco num espectáculo com encenação de Marco Martins

“Now I know the full power of evil. It makes ugliness seem beautiful and goodness seem ugly and weak.” 

August Strindberg, The Dance of Death

Isabel Abreu e Miguel Guilherme encontram-se novamente, depois de contracenarem juntos na peça “Blackbird”, em cena no Teatro Nacional D. Maria II e com encenação do cineasa Tiago Guedes. Aqui, voltam a representar um casal de gerações distintas, “numa releitura intensamente realista e psicológica deste drama burguês sobre o esvaziamento de objectivos, o cansaço e a procura de culpabilização do outro pelas escolhas e falhanços individuais”, como afirma o encenador Marco Martins.

Para o encenador, este é “um retrato diabólico e desolado da vida claustrofóbica de um casal isolado do mundo, estruturado quase como um combate de boxe em vários rounds sem qualquer perspectiva de salvação para Alice e Edgar”. Uma obra “de uma absoluta modernidade” e que constitui, na sua opinião, “a matriz para muitos dos textos mais importantes da dramaturgia contemporânea”.

Este é um texto que Marco Martins desde sempre quis trabalhar, pois toca nos “aspectos mais profundos de uma relação a dois e os recantos mais negros da condição humana, marcados por múltiplos vestígios das conturbadas experiências matrimoniais do autor, que por vezes se assemelha a um estudo sobre o mal”. Sobre o texto, o encenador afirma ainda que “ao longo dos anos, as sucessivas releituras do texto de Strindberg foram-me revelando uma teia psicológica cada vez mais complexa e repleta de significados, que transcende em muito o realismo narrativo de um “casamento disfuncional”, apontando para um ampla reflexão sobre relações humanas na sua ligação com a sociedade – uma tragédia, diria, sociopsicológica sobre os sucessivos insucessos de um homem desesperado em busca de afirmação social, numa relação marcada pela pulsão de morte, constituída através do ímpeto para a destruição do mundo que o rodeia”.

O cenário e os figurinos são detalhados mas simples, num “espaço cénico claustrofóbico, intemporal e de geografia indefinida, a encenação deste texto irá confrontar então dois actores, de gerações distintas (Miguel Guilherme e Isabel Abreu), numa releitura intensamente realista e psicológica deste drama burguês sobre o esvaziamento de objectivos, o cansaço e a procura de culpabilização do outro pelas escolhas e falhanços individuais”, afirma ainda o encenador.

Esta é também uma peça que se insere num contexto histórico de um País que hoje atravessa uma crise profunda. “À luz do actual contexto socioeconómico de um País em crise e num quadro de múltiplos receios do futuro e do mundo exterior, as palavras de Strindberg parecem hoje ecoar em nós de forma particularmente pertinente e incisiva, como um rasto de algo bastante próximo, estimulando uma criação que irá enfatizar, não só as problemáticas da vida conjugal de Edgar e Alice, como também, e sobretudo, a sua relação com o exterior e a sociedade que os rodeia e aprisiona, afastando-os cada vez mais dos objectivos por eles traçados para as suas vidas”, conclui Marco Martins.

“Dança da Morte” está em cena de quarta a sexta às 21h, domingos às 17h30, até 17 de Novembro.

8 de Novembro, quinta-feira, pelas 18h30
Strindberg: autobiografia e questões de género.

Conversa com Anna Cavallin (Univ. Estocolmo), Gonçalo Vilas-Boas (Univ. Porto), Marco Martins e Mónica Calle.

Ficha Técnica:

Texto August Strindberg
Tradução João Paulo Esteves da Silva
Encenação Marco Martins
Cenografia
Artur Pinheiro
Desenho de luz
Nuno Meira
Figurinos
Isabel Carmona
Sonoplastia
ameba
Interpretação
Miguel Guilherme, Isabel Abreu, Sérgio Praia
Figuração
Mariana Mestre, Pedro Cruzeiro
Co-produção Arena Ensemble, São Luiz Teatro Municipal
Colaboração
Embaixada da Suécia em Lisboa
Apoio Monte da Penha, Cadena Vestuario S.L., ameba, Fundação Portuguesa das Comunicações

 

Fotografia de Graziela Costa



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