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Dark Night of the Soul

O que têm Danger Mouse, Sparklehorse e David Lynch em comum?

Os ambientes de onde vêm e se movimentam são bem distintos mas ambos são nomes de peso. Danger Mouse, ou Brian Joseph Burton, é 50% dos Gnarls Barkley. Sparklehorse, ou Mark Linkous, é… Sparklehorse. No entanto, o peso não fica por aqui. The Flamming Lips. Julian Casablancas. Super Furry Animals. Frank Black. Scott Spillane. Iggy Pop. Nina Persson. Suzanne Vega, Vic Chesnutt, James Mercer. Gruff Rhys. Jason Lytle e uma colaboração especial de David Lynch. Eis “Dark Night of the Soul”.

O que se segue é a história atribulada de um dos bons álbuns que, felizmente, conseguiu ver a luz do dia em 2009.

Os primeiros indícios de que algo estava para acontecer surgiram ainda em Março, em Austin, Texas, durante a edição deste ano do SXSW. Pela cidade surgiram, como que do nada, posters afixados onde se podia ler “Dark Night of the Soul” e, entre outros nomes, o de David Lynch. Tal levou a que os primeiros rumores que começaram a circular apontassem para um filme relacionado com música. Pouco tempo depois as dúvidas começaram a ser dissipadas. “Dark Night of the Soul” era na realidade um álbum cujos principais responsáveis eram nada mais nada menos que Danger Mouse e Sparklehorse. David Lynch seria o autor de um livro de fotografias, influenciadas pela música do álbum. Óptimas notícias. Dois nomes respeitados na cena musical, com uma lista repleta de colaborações de luxo e, como cereja no topo do bolo, David Lynch.

O número de impacientes por pôr as mãos em “Dark Night of the Soul” aumentava a cada dia que passava.

Eis que cai a bomba. “Dark Night of the Soul” poderia nunca ver a luz do dia. As razões não eram e, verdade seja dita, ainda não são, claras. Os rumores indicavam para a existência de uma disputa legal entre Danger Mouse e a editora, neste caso a EMI. Este facto veio a ser confirmado quando a EMI emitiu um comunicado em que confirmava a disputa legal e que estava a tentar ultrapassá-la, embora as razões para a mesma nunca fossem referidas. Por esta altura muitos dos impacientes passaram a desesperados. No seguimento destes desenvolvimentos, Danger Mouse veio a público afirmar que estava tremendamente orgulhoso de “Dark Night of the Soul”, e que esperava que as pessoas com a sorte de ouvir as músicas, por quaisquer meios, gostassem tanto do álbum como ele. Pouco tempo depois o álbum foi legalmente disponibilizado para streaming na rádio nacional pública dos Estados Unidos da América, NPR. Daí até se ter espalhado por toda a internet foi um pequeno passo.

Danger Mouse conseguiu ainda encontrar uma forma peculiar do projecto ganhar forma física e, simultaneamente, deixar bem claro o desagrado de todos os envolvidos no projecto. Foi disponibilizada uma edição limitada, onde se podia encontrar o livro de fotografias, com mais de 100 páginas, da autoria de David Lynch, um poster e um CD-R em branco onde se podia ler: “For legal reasons, enclosed CD-R contains no music. Use it as you will”. A edição, disponível na loja online do projecto, esgotou num ápice.

Porquê “Dark Night of the Soul”? É um termo criado por um poeta e católico cristão espanhol, São João da Cruz, no século XVII. Refere-se a um ponto na vida de um católico devoto, em que este é incapaz de reconciliar a sua relação com Deus e, em virtude disso, toma decisões dolorosas em busca da sua purificação perante Deus. Pode ser só impressão minha mas, independentemente de ter sido sempre Danger Mouse a dar a cara pelo projecto, “Dark Night of the Soul” tem muito mais de Mark Linkous do que de Brian Joseph Burton. Começando pela atmosfera pesada que o próprio título transporta e acabando na própria música, muitas vezes mais próxima do universo de Linkous. Mas isso, face ao resultado obtido, pouco ou nada importa. “Dark Night of the Soul” anda por aí e merece ser escutado.



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