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Annie Hart, Au Revoir Simone

Orgãos Casio no País das Maravilhas.

Desenganem-se os cépticos, para quem os sintetizadores são sempre sinónimo de frieza maquinal. Um trio de raparigas de Brooklyn – Annie Hart, Heather D’Angelo e Erika Forster – tem-nos provado desde 2003 que numa drum machine e alguns teclados Casio pode haver muito espaço para os sonhos mais plácidos.

Annie Hart, na mais recente visita ao nosso país, partilhou com a Rua de Baixo um balanço dos primeiros seis anos das Au Revoir Simone, revelou projectos para o futuro, e guiou-nos na exploração do seu imaginário feito de harmonias vocais que desenham paisagens encantatórias, ora etéreas, ora melancólicas.

Em primeiro lugar, para quem ainda não sabe: como vos ocorreu um nome tão peculiar para a banda?

Annie Hart: Trata-se uma referência a um filme chamado “Pee Wee’s Big Adventure”. É uma combinação de romance, idealismo, aventura e bizarria.

“Still Night, Still Light”, o álbum que vos traz de volta a Portugal, mantém uma certa continuidade em relação a “Bird of Music”. Há mais melancolia, mas conserva um toque de serenidade esperançosa em todas as canções. Acham que estas características fazem parte da vossa identidade e são a razão da boa recepção que têm tido na comunicação social?

As nossas canções são uma representação directa de quem somos e do que pensamos. E eu acho que mesmo quando nos entristecemos com os nossos actos tendemos a procurar esperança no futuro. Estamos num processo de procura individual, mas temos boas vidas e não podemos perturbar-nos demasiado com as contrariedades, mesmo que de vez em quando nos magoemos.

A vossa imagem, três raparigas e três sintetizadores, é quase tão forte como a vossa identidade musical. Como se lembraram duma combinação de instrumentos tão pouco comum?

Bem, a verdade é que tocamos muito mais de três sintetizadores. Em palco temos cinco, no último disco usámos pelo menos dozes diferentes e eu sou dona de um monte de Casios. São tão divertidos e nostálgicos, e soam tão bem que foi impossível não formar uma banda com muitos teclados.

O que diriam àqueles que sugerem que soariam melhor com uma bateria e algumas guitarras verdadeiras em vez de uma drum machine?

Que é evidente que nunca nos ouviram tocar guitarra ou bateria.

A “Bird of Music” seguiu-se um album de versões remisturadas, “Reverse Migration”. Repetiriam esta experiência? Num plano puramente hipotético, que músico ou banda, vivo ou morto, gostariam que gravasse novas versões das vossas canções?

Já estamos a trabalhar num álbum de remisturas para este disco. As que temos até agora são tão boas! Adoraria ouvir os U2 a recriar uma das nossas músicas. Isso seria muito interessante. Mas estou muito satisfeita com as que temos de amigos nossos e de tipos talentosos como os Aeroplane e o Jens Lekman.

Estão juntas desde 2003. Nestes primeiros seis anos de existência que diferenças detectaram no mercado musical? Como usam a Internet para promover a banda?

Penso que as coisas se alteraram desde que fundámos a banda, mas não duma forma muito drástica. Começámos quando o Myspace se estava a popularizar, e ainda é a maneira mais simples e fidedigna de conhecer uma banda. Agora usamos redes como o Facebook e o Twitter para manter os fãs informados das nossas idas e vindas e de peripécias engraçadas que aconteçam durante a tournée. O melhor da Internet é que nos proporciona um bom contacto com os fãs. Estamos numa fase em que não temos tempo para responder por e-mail quando nos mandam mensagens de apoio, por isso confiamos nos vários sites para manter uma relação tão pessoal quanto possível e mostrar o nosso lado humano.

Como conseguem conciliar, nas vossas longas digressões pelo mundo, a composição e novos álbuns com o entusiasmo a interpretar os antigos? Não sentem o peso da exaustão?

Bem, o cansaço e testar os nossos limites como seres humanos faz parte da experiência da digressão. O mais curioso da nossa banda é que nos tornamos gradualmente mais populares de cada vez que tocamos – nunca fomos a uma cidade tocar para menos pessoas que na visita anterior. Há tanto feedback positivo ao que fazemos que é difícil não estarmos entusiasmadas. Desde que tomemos conta de nós, nos alimentemos saudavelmente e tenhamos tantas horas de sono quanto possível conseguiremos sobreviver.

Ganharam muita visibilidade após David Lynch, o conhecido realizador, ter assumido publicamente a admiração que sente pela vossa música. Mais uma vez num plano hipotético, qual é o realizador, vivo ou morto, que gostariam que dirigisse um dos vossos vídeoclips?

Para além do David? Eu diria o Michel Gondry.

Subiram a palcos muito diferentes em Portugal, de pequenas salas como o Santiago Alquimista em Lisboa a grandes festivais de Verão como Paredes de Coura. Que imagem criaram do país com estas visitas?

Tenho reservas quando falo isto, porque temos os fãs mais incríveis por todo o mundo, e refiro-me mesmo a pessoas excepcionais, mas os fãs portugueses são o mais caloroso e acolhedor dos públicos e eu adoro tocar para eles. Parece um lugar onde as pessoas se preocupam umas com as outras e eu gosto de pôr os convidados à vontade. Estou tão feliz de ser famosa entre eles. Poderia tocar aqui o ano inteiro.

A Aula Magna, em Lisboa, e a Casa da Música, no Porto, são palcos emblemáticos, que mostram uma base de fãs muito sólida. Ainda assim, que diriam ao quem ainda está reticente sobre se deve ou não comprar o bilhete para os vossos concertos?

Não tenho a certeza! Ainda me surpreende que alguém venha aos nossos espectáculos, não sinto que sejamos melhores que qualquer outra banda, mas o que sei de experiência própria é que muita gente marca encontros para os nossos espectáculos e muita gente é seduzida durante eles, portanto se trouxerem alguém em quem estejam interessados talvez consigam beijá-lo durante o concerto.



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