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Dead Combo em Braga

22 de Outubro, Theatro Circo.

Após o lançamento do mais recente álbum dos Dead Combo, “Lisboa Mulata”, em que se apresentam (de novo) só os dois na frente das guitarras (e de tudo um pouco), desta vez, na sala do Theatro Circo, fazem-se acompanhar pelos seus “velhos” compinchas musicais: a Royal Orquestra das Caveiras.

Depois de uma calorosa recepção por parte do público à sua entrada, Tó Trips e Pedro Gonçalves – os “Royal” Dead Combo – chegam apenas sós àquele cais abandonado. Faz-se um grande silêncio. Todos esperamos ansiosamente pelo que nos vão dizer. Começam os acordes de uma nova música, e assim se seguem mais duas, como uma rajada de ar fresco (que neste caso é um ar bem de taberna). É nesta pausa, preenchida por um “obrigado”, que entra a Royal Orquestra das Caveiras. E é aqui que o ar, que já estava preenchido, se preenche ainda mais com a combinação dos restantes instrumentos, que se juntam àqueles dois garotos lusitanos.

Segue-se «Cuba 1970», quente e provocadora, de cigarro na boca. E aí lembramo-nos de como conhecemos tudo aquilo. Sempre nos esteve na cabeça, aquela música. E é desta forma que durante mais algumas músicas voltamos ao passado dos Dead Combo. Um passado que nunca deixou de ser mulato, nem lisboeta. «Manobras de Maio», «Desert Diamonds» (e esta vestiu-se mesmo de preto para matar) e «Mr. Eastwood» embalam-nos para as imagens que os Dead Combo tão bem sabem criar, seja um western spaghetti, metendo o Clint Eastwood ao barulho, ou um fado vadio com manias de rock n’ roll seco.

Pedro Gonçalves apresenta-nos a banda (fá-lo durante o concerto pelo menos umas três ou quatro vezes, em tom de brincadeira) e iniciam uma cover de Tom Waits, marcando assim, no meu ouvido, um dos momentos mais altos da noite. «Temptation» foi a ousadia escolhida. Soou tal e qual a Tom Waits, mas com um gole de vinho do Porto. É com Tom Waits que se inicia a parte mais jazzy do concerto. Seguem-se momentos de luta entre dois homens do jazz, que discutem por causa de uma madura que estava no Cais do Sodré. «Sopa de Cavalo Cansado», remetendo-nos para o anterior “Lusitânia Playboys”, é a música que dá inicio a esta marcha jazzística e voluptuosa.

Passada a rebeldia, tocam-nos a tal «Lisboa Mulata», que foi muito bem recebida, se me cabe a palavra. Dizem ser a última música, mas todos sabemos que o encore é merecido. Quando voltam, voltam de novo sozinhos. Afinal, Dead Combo faz ainda mais sentido assim. Tocam-nos mais uma do novo álbum, que por acaso não é nada mulata mas sim muito portuguesa, «Esse olhar que era só teu». É um fado. Afinal o fado não tem medo de ser triste e, por isso, todos nos deixamos afectar. Tocam também, quase por fim, «Cacto», música que dizem ser, provavelmente, a primeira de Dead Combo.

Tivemos direito a todas as melancolias, azares de cowboy, lutas bêbedas, miúdas giras ao som de um contra-baixo, a mortes no Cais do Sodré, tivemos até direito a cheirinho a santos populares; enfim, simples trivialidades. As imagens que eram só deles, são também nossas, quando eles se entregam. Saímos dali com a certeza que os encontraríamos no boteco mais próximo.



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