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Dead Kids, If Lucy Fell e Blasfemea @ Musicbox, 6 de Junho

Does humour belong in… violence?

Blasfemea
Só foi possível entrar no Musicbox a meio do concerto de Blasfemea. Ficou na memória uma versão final de «I Wanna Be Your Dog» que deve ter posto o Ron Asheton a rebolar no caixão. O concerto terminou com o vocalista a suspirar um “Pronto, acabou-se.” Foi um bom esforço, apesar de tudo.

If Lucy Fell
A nossa banda prodígio, imperadora absoluta e magnânima do leitor de cds do meu carro há mais de dois meses. Sim, sou na verdade um fã tardio, pois esta banda já está no activo há cerca de cinco anos. Ainda assim, isso não me inibe de adorar o som destes camaradas do Cacém, se não estou em erro. Quem diria que das profundezas dos subúrbios viria a emanar tão doce e vil ruído?

Já assisti a três concertos deles, o primeiro no Festival A Caixa Vem Abaixo, na Caixa Económica Operária, que detestei e prometi para nunca mais. Senti o chamado e decidi faltar à palavra. Fui vê-los de propósito ao Festival Novos Fados no Santiago Alquimista. Fiquei estupefacto. Comprei os dois cds na hora. Desde aí que não saem do meu porta-luvas.  Hoje, Musicbox, nesta noite de sábado abrasadora, a espera torna-se difícil. Sabendo de antemão que estes meninos gostam sempre de deixar a barra pesada para a banda seguinte, as expectativas estão lá em cima. E não foram goradas. Tocaram músicas dos dois álbuns, “You Make Me Nervous” e “Zebra Dance”. Recordo-me de bater o pé freneticamente ao som de «Dead Chords», «Colossus Kid», «Eyes On The Road» e «Lady Sam». Vários problemas técnicos provocaram diversas interrupções no concerto. O guitarrista desesperava com um pedal mais morto que vivo, o baterista enraivecia com um pedal mais vivo que morto. São as coisas da estrada! Fora isso, foi o habitual caos. Ao final de cada música, Makoto, o vocalista, teve de se desembrenhar dos laços e nós que os cabos eléctricos lhe faziam ao pescoço. Fez um crowdsurf no mínimo corajoso, que acabou por resultar num kamikaze de costas no chão, de uma altura de dois metros. Levantou-se logo de seguida rumo ao palco.

Enquanto esteve ligada à corrente, a Lúcia tropeçou mas não caiu. Estão em grande, grande forma e são uma banda à qual não consigo colocar um rótulo. São na minha opinião originais. Os ritmos, as cadências e as danças são estranhas e entranham-se. Nos concertos só precisam de uns soundchecks mais atentos, de forma a prevenir problemas que prejudiquem o resultado final.

Dead Kids
A banda resume-se aos problemas filosóficos do vocalista com a autoridade. O que dizer deste gentleman?

Desde tabefes a miúdas, muco nasal e gutural endereçados ao público, pontapés a pessoas com ar inofensivo, entre outras alarvidades, este mini GG Allin vestido com casaco de fato de treino, calcinha justa e sapatinho branco com berloque à moda da Madragoa deu gás à sua verborreia durante cerca de uma hora.

Disse que adorava Portugal porque gostava de vir à praia e porque somos um povo amigável e… mais baixo do que ele. Isto fez-me rir, vindo de um meia dose, para ser generoso. Agitava-se, babava-se e suava em palco e divagava eu sobre Art Brut. Aquela letra que diz que todas as letras de rock são sobre o tema Why don’t our parents worry about us?. Terá também ele tido falta de atenção dos papás? Ou será isto apenas o síndrome Lucy? Terão os If Lucy Fell deixado a barra de tal forma pesada que este senhor tenha decidido esticar-se aquele “bocadinho assim” para conseguir elevar a fasquia? Também não me parece. São géneros demasiado diferentes. Pesquisas na net demonstram que ele é cáustico em todos os palcos que pisa.

Segundo consta, este timidamente auto-intitulado poeta, que brinca permanentemente com a ironia da violência, também já comeu flores em palco. Escandaloso é o mínimo que se pode dizer deste concerto. Enfim… Tocaram todas as músicas disponíveis no Myspace. «Wires», «Into the Fire» e «Snakes». Todas elas autênticas chicotadas de energia ao vivo. O pior de tudo é que acabei por gostar deles em palco… Para quem quiser entender o título desta crónica de um vulgar sábado à noite, uma descaradamente intelectualóide alusão a um álbum de Frank Zappa, que faça o favor de assistir ao videoclip da música «Snakes».



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