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Eagles of Death Metal @ Festival do Crato (26.08.2017)

Com a primeira edição a acontecer em 1984, o Festival do Crato transformou-se num dos maiores festivais do ano no Alentejo. Existiu primeiro como uma feira de gastronomia e artesanato (que ainda têm espaços reservados no recinto do festival) e foi apenas em 2010 que mudou a sua designação para Festival. É incrível como já desfilaram pelo palco nomes sonantes da música internacional como UB40, Gotan Project ou Scorpions e também nomes maiores da música portuguesa como Clã, Buraka Som Sistema ou Mariza.

Foi também em 2010 que a organização decidiu passar a vender passes para todos os dias do festival, abrindo também portas a um parque de campismo para aqueles que escolherem assistir a todos os dias de concerto. Actualmente na sua trigésima terceira edição, o Festival do Crato é um exemplo de como o esforço e a dedicação podem dar frutos mesmo numa vila tão pequena (com quase dois mil habitantes) e numa zona do país em progressiva desertificação.

Este ano passaram pelos palcos do festival nomes como Samuel Úria, David Fonseca, John Newman ou Seu Jorge. Mas o ponto alto do festival foi sem dúvida o concerto que encerrou o palco 1, Eagles of Death Metal.

Não é normal um fotografo escrever sobre o concerto que fotografou mas também não é ser um dos escolhido por acompanhar cada passo da banda pelo backstage até ao palco. Bem, vamos por partes. Chego pelas 19h30 para conseguir lugar para estacionar e espero até às 21h para ir levantar a minha credencial.

Chego à entrada de backstage e procuro o camarote dos EoDM, fico por ali. Vejo afixado na parede a hora de entrada e saída de cada banda de palco e começo já a imaginar as voltas que posso dar, sigo para o palco. Faço reconhecimento do palco, desço para o pit dos fotógrafos e imagino de novo os meus passos. sei que o Jesse gosta muito do contacto directo com o publico e sei que os cantos e frente de palco são normalmente os seus escolhidos.

Dou por mim a caminho dos camarotes quando vejo o Jesse de fones a descontrair mas muito concentrado no que ouve. não incomodo e mantenho a minha distancia enquanto lhe tiro algumas fotos sem se aperceber. passo o corredor dos camarotes e ali vejo alguém de olho nele, o segurança pessoal, o Alain. Eu não sabia que havia por ali um fotografo oficial da banda para o concerto mas a caminho da cantina apanho a conversa do Jesse e do Alain a dizer que aquele fotógrafo, apontando para o rapaz, o podia acompanhar para todo o lado, apenas ele, e eu estico-me e digo: e eu!, ao que o Jesse se vira para mim dando um abraço e diz: sim, e este também. Ali foi o momento da noite para mim, estar na hora certa no momento certo. Dou por mim a acompanhar cada membro da banda por todo o lado, falar com eles, conhecê-los um pouco. Gostava de fazer isto sempre, normalmente somos dirigidos para o pit para as três primeiras musicas e depois temos de sair dali ou somos obrigados a fotografar do publico. aqui fotografei o que quis, de onde quis e sempre respeitando a privacidade de cada musico.

O manager da tour, Steev Toth, disse-me o que podia e não podia fotografar e eu respeitei esse pedido, dei a minha palavra e cumpri.

Chega a Jennie, o Jorma, o Davey. convido-os para pousarem para mim para um retrato rápido. Enquanto isso o Jesse está no camarote agarrado a uma das suas guitarras e o seu famoso amplificador pequeno cor de laranja. Chega o Alain com um pedido de um fã a quem o Jesse prometera os seus suspensórios. o Jesse procura por eles, encontra e dá-os ao Alain e este sai com eles para os entregar. Volta e diz ao Jesse que fez alguém realmente muito feliz ao que o Jesse responde: dei a minha palavra, se damos a palavra temos de cumprir. Se não tivermos palavra o que é que levamos deste mundo? A palavra de um homem é tudo!

A primeira banda dirige-se para palco para tocar, banda de tributo aos Pink Floyd, os Eclips, e nós subimos logo detrás deles para o inicio que prometia muito fogo de artificio a abrir. uma das musicas ficou no ouvido do Jesse e tentou vezes sem conta tocá-la, de ouvido, à porta do seu camarote até chegar ao tom certo, no final com uma ajudinha do Davey. Delirou com o resultado que até tocou um pequeno trecho durante o concerto, «Shine On You Crazy Diamond», do qual espero uma versão feita pelos EoDM.

Chegado o momento de ir para palco tocar, subidas as longas escadas, abraçam-se em roda para dar motivação antes de entrar em cena e começa o delírio em palco!

O publico foi deles. cantaram, gritaram, festejaram, pediram mais, abraçaram a banda do início ao fim. Explodiram de alegria durante os 90 minutos  e a banda soube bem agradecer todo este amor para com eles.

Alinhamento:

«I Only Want You»
«Make A Bang»
«Save A Prayer»
«Whorehoppin’»
«Silverlake»
«Cherry Cola»
«Reverend»
«Secret Plans»
«Flames Go Higher»
«Wanna Be In La»
«Love You All The Time»
«Moonage Daydream»
«Boys Bad News»
«Speaking In Tongues»

Entre muitas tantas outras historias que poderia ainda partilhar com vocês que tive o privilégio de ouvir, vou guardá-las para mim. ‘se damos a palavra temos de cumprir. se não tivermos palavra o que é que levamos deste mundo?’.



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